Nome da fic: Dois homens e um bebê - Prólogo
 
Autor: Amanda Saitou
 
Pares: Severus/Harry
 
Censura: PG-13/ T
 
Gênero: Romance
 
Desafio: Desafio 11 - Um bebê é deixado nos portões de Hogwarts com um bilhete endereçado a Severus Snape. Todos se surpreendem quando ele acolhe a criança. Será filho de Snape? Quem é a mãe? Como ele vai fazer para cuidar de um bebê?
 
Resumo: Harry encontra uma pequena surpresa que mudará sua vida e a de Severus Snape para sempre.
 
Disclaimer: Harry Potter e demais personagens são propriedade de J K Rowling, apenas as idéias desta fic é que são minhas.
 
Esta fic faz parte do SnapeFest 2005, uma iniciativa do grupo SnapeFest, e está arquivada no site http://oxetrem.com/fest.
 
Nota: Esta fic é dedicada especialmente a Tina, Nielle, Ludmila e Ptyx.
 
Nota 2: Esta fic não fala em gravidez masculina (mpreg) em nenhum momento.
 
                                              Dois homens e um bebê - Prólogo
 
Apesar da neve que caía em abundância naquele gélido dia de inverno, Harry Potter caminhava sobre o campo de Quadribol ignorando totalmente o frio ao seu redor. Ele finalmente cumprira o seu dever derrotando Voldemort e em poucos meses ele estaria se graduando em Hogwarts. Havia muito em que pensar, um futuro inteiro pela frente. Harry decidira permanecer na Escola durante os feriados de Natal, como sempre fizera. Com a morte dos Dursley, fora-se o último fragmento de família que Harry conhecera.
 
O jovem bruxo estava perdido em seus pensamentos quando um som muito diferente chamou sua atenção. Era um choro. Harry franziu a testa e apurou o ouvido para tentar localizar de onde o som vinha. "O quê..." Sim, era um choro. Mais especificamente, um choro de um bebê. Harry percebeu que o som vinha de próximo à entrada principal, nos grandes portões de ferro, e saiu em disparada naquela direção.
 
E lá estava a origem do choro: um bebê envolto em mantas grossas e com as bochechas rosadas por causa do frio. Harry ia pegá-lo quando percebeu um envelope dentro do cesto onde o bebê estava. E arregalou os olhos, surpreso, quando viu a quem se endereçava: Severus Snape! Não era possível, alguém tinha deixado um bebê para Snape? Só podia ser alguma brincadeira de mau gosto, pensara Harry. De qualquer forma, era preciso levar a criança para dentro, e somente uma pessoa lhe ocorreu naquele momento. Albus Dumbledore.
 
~~~
 
Chegando à sala do diretor, Harry deparou-se também com Minerva McGonagall, que olhou surpresa para a preciosa carga nos braços de Harry.
 
"Sr. Potter, o que significa isso?"
 
"Olá, professora! Er... eu bem que gostaria de saber."
 
Dumbledore imediatamente fez com que Harry se sentasse e, curiosamente, o diretor não parecia nem um pouco surpreso com a visão que tinha diante de si. Pelo contrário, havia uma certa satisfação na maneira com que ele apreciava a cena. "Muito bem, Harry, parece que você tem explicações a nos dar."
 
Harry continuava com o cesto no colo, observando de soslaio o bebê que finalmente parara de chorar. "Eu estava dando uma volta pelo campo de Quadribol, e de repente ouvi essa criança chorando. Daí eu pensei em vir procurá-lo, especialmente por isso..." O rapaz tirou o envelope do seu bolso e entregou na mão do diretor. "Esse envelope estava junto com o bebê, e está endereçado a Snape."
 
Minerva pigarreou, mas logo se recompôs. "Professor Snape, Sr. Potter. Albus..." 
 
Dumbledore coçou a longa barba branca, pensativo. Em seguida, olhou para o misterioso envelope em suas mãos e tomou uma decisão. "Minerva, preciso que você traga Severus aqui imediatamente, por favor." Instantaneamente, a chefe da Casa de Gryffindor se levantou e foi buscar Severus. "Quanto a você Harry... tem certeza de que não viu ninguém estranho perto da criança?"
 
"Não, diretor."
 
"Então vamos olhá-lo mais de perto." Albus pegou o bebê em seu colo e sorriu, recebendo uma careta em retribuição. "Ah, me perdoe pequenina, então temos aqui uma pequena dama! E bastante temperamental!"
 
Harry se aproximou. Era uma linda menina, com negros cabelos espessos, grandes olhos verdes e traços aristocráticos. Ela logo começou a sorrir para Harry. "Er... diretor, ela se parece muito com Snape, não?"
 
"Sim, sim, uma beleza rara..." Snape e beleza não eram duas palavras que combinavam muito, mas Harry preferiu apenas balançar a cabeça concordando com o mago mais velho, já que este assumira um ar nostálgico. "... espero apenas que com um destino menos triste." 
 
"Como assim, diretor?"
 
Dumbledore encarou Harry com aquele olhar penetrante que parecia perfurar a alma. "Harry, aprenda que até mesmo a verdadeira beleza pode ser  obscurecida pela sombra se for abandonada na escuridão..." Uma folha dourada apareceu nas mãos do diretor. "Veja. Esta folha é a folha mais bela que existe, provinda de uma árvore rara. Porém, o que lhe acontecerá se, ao invés de a banharmos com o sol e a chuva, com vida e alegria, a abandonarmos ao acaso da escuridão?"
 
"Ela murchará, é claro!"
 
"E ainda assim haverá beleza nela?"
 
Harry pensou por um instante. "Acho que irá depender do ponto de vista pelo qual a vemos..."
 
"Muito bem, Harry, muito bem!" Albus colocou o bebê nos braços de Harry que a segurou meio que desajeitadamente. "E qual é essa verdadeira beleza que nem mesmo a escuridão pode apagar?"
 
"Hermione sempre diz que o mais importante é a beleza interior, que essa é que é a verdadeira beleza..."
 
"E você vê essa beleza no professor Snape, Harry?"
 
Harry olhou um pouco confuso para Dumbledore. Essa pergunta era estranha! Beleza em Snape? Talvez no dia em que Filch fosse eleito o Sorriso mais atraente no semanário dos bruxos, quem sabe ele ... Mas antes que pudesse finalizar seu pensamento, o próprio Snape entrou pela porta acompanhado de Minerva.
 
"Albus, eu estava no meio de uma poção importante e..." Os olhos de Snape congelaram ao ver Harry e o bebê diante dele e a palidez de sua pele tornou-se mais evidente.  "O que... o que é isso?"
 
Harry assumiu o tom zombeteiro que caracterizara os últimos meses de seu relacionamento com o Mestre de Poções. "Aparentemente, professor Snape, uma entrega especial para o senhor!" 
 
Snape olhou aturdido para Minerva e Albus. "Que tipo de palhaçada é essa?"
 
"Na verdade, Severus, parece ser um assunto muito sério. Sente-se."
 
"Não, eu..."
 
"Severus, sente-se!" 
 
Snape odiava quando Albus utilizava aquele tom ameaçador com ele, o fazia sentir-se como uma criança que era forçada a fazer o que seu pai queria, e esta para ele era a menos agradável das associações. "Muito bem, diretor. Espero que seja realmente importante." 
 
O ex Comensal da Morte ouviu atentamente Albus repetir a mesma história que Harry lhe contara, adicionando suas observações aqui e ali, porém seus olhos eram sempre atraídos para o tormento de sua existência e o bebê com o qual ele brincava. Tantas coisas haviam mudado, porém Harry ainda continuava exercendo um forte fascínio em Severus. E aquele bebê... ele lhe parecia estranhamente familiar.
 
"... e como eu ia dizendo, Severus, este envelope está endereçado a você. Leia-o, talvez aí esteja a resposta sobre o nosso pequeno mistério."
 
Com todos os olhos fixados nele, Snape pegou o envelope da mão do diretor e o abriu cautelosamente, nada satisfeito com aquela situação. E lá estava a carta. Snape a leu atentamente e, como se isso fosse possível, foi ficando cada vez mais pálido à medida que lia a carta. Algumas vezes ele olhava para Harry e para a criança, outras vezes para Dumbledore, e então mergulhava na leitura novamente. 
 
E foi então que a cena mais incrível da vida de Harry e Minerva aconteceu. Quando Severus terminou a leitura da carta e deixou que seu rosto ficasse visível por detrás da cortina de cabelos negros, todos constataram o impensável: Severus Snape estava chorando! Havia lágrimas sinceras em seus olhos, e também uma tristeza  Albus há muito tempo não via. Novamente seus olhos se fixaram em Harry, e o garoto sentiu, vindo do nada, um aperto no peito. Ele jamais imaginara que Snape, sempre tão frio, seria capaz de chorar. 
 
Albus se aproximou e colocou a mão em seu ombro. "Severus, meu filho, o que diz a carta? Quem é essa criança?"
 
Snape não respondeu. Ainda confuso em suas lágrimas e com a carta amassada na mão, ele se levantou  e saiu correndo em direção às masmorras, ignorando os olhares incrédulos de todos os outros alunos e professores que o virão naquele estado. E quando se viu trancado na segurança de seu quarto, ele caiu sobre a cama, e como a criança que fora há muitos anos atrás, chorou por muitas horas até adormecer...
 
(continua)