Nome da fic: Marcas do destino
Autor: Magalud
Censura: PG-13 (menção a ataque sexual)
Gênero: Drama, toques de comédia.
Spoilers: Todos os cinco livros e os três filmes
Resumo: Snape é ameaçado pelo Ministério da Magia e
vai precisar engolir seu orgulho se quiser salvar sua vida.
Agradecimentos: Betas, inspiração, olá mamãe.
Disclaimer: Esses personagens são de JKR, eu não
quero nem vou ganhar dinheiro com eles.
Esta fic faz parte do SnapeFest
2004, uma iniciativa do grupo SnapeFest, e está
arquivada no site http://oxetrem.com/fest e no meu site http://www.geocities.com/
Marcas
do destino
Pela
primeira vez em 120 anos, Alvo Dumbledore soltou um
palavrão. Pesado. Depois enrubesceu:
-
Desculpe, Minerva.
- Tudo
bem, Alvo – disse a professora de Transformações, que estava tremendo – Eu
mesma tenho vontade de dizer algo deste quilate. Alguém precisa deter esse
inconseqüente!
-
Lamento não haver muito que possamos fazer nesse caso. Cornélio é o Ministro da
Magia. Ele tem poderes para tomar decisões desse tipo.
-
Mas... as repercussões!... E Severo?
Pesadamente,
Dumbledore previu:
- Ele
vai morrer.
- Oh,
não! – McGonagall horrorizou-se – O que vamos fazer?
-
Vamos falar com ele. É o que podemos fazer nesse momento.
Os
dois professores mais velhos de Hogwarts encontraram
o Mestre de Poções preparando-se para subir até o Salão Principal, pois estava
perto da hora do jantar. Ao ver Dumbledore e McGonagall juntos, ele ergueu uma sobrancelha:
-
Diretor? Posso ajudá-lo?
-
Precisamos falar com você, Severo. É um assunto da máxima gravidade.
Snape fez menção
para que entrassem no seu escritório, uma sala escura repleta de livros e
frascos com ingredientes de poções. McGonagall se
sentou numa cadeira, mas Dumbledore preferiu ficar de
pé, andando de um lado para o outro enquanto explicava a situação:
- Não
há outra maneira de dizer isso, Severo: eu vou direto ao ponto. Agora que a
volta de Voldemort se tornou um assunto público e a
guerra está para estourar, o Ministério da Magia resolveu tomar a dianteira da
batalha e partir para ação ao invés de reagir a uma possível investida de Voldemort. Cornélio Fudge ordenou
uma ação preventiva contra qualquer ataque das forças das Trevas.
Snape revirou os
olhos:
-
Desejo a ele boa sorte ao tentar isso. Os tentáculos do Lord
das Trevas são profundos e alcançam mais longe do que ele imagina.
Dumbledore não
sorriu e olhou diretamente para Snape:
- Por
essa exata razão ele tomou uma medida preventiva e radical. Em algumas horas,
especialistas do Ministério da Magia vão lançar uma maldição para matar ou
incapacitar qualquer bruxo portador da Marca Negra.
O
tempo pareceu ter ficado suspenso em um segundo.
No
ambiente escuro da masmorra, não foi possível aos dois professores verem as
pupilas de Snape se dilatando, a única evidência de
que seu controle emocional sempre perfeito havia falhado por alguns segundos.
Afinal de contas, Snape, ex-Comensal da Morte e
espião para a Ordem da Fênix, tinha a Marca Negra em seu braço – e seria morto
se Fudge fosse adiante com seu plano.
Dumbledore estava arrasado
por dentro. Todos aqueles anos Severo tinha se mostrado um espião valioso, e
era assim que as forças da Luz o pagavam: aniquilando-o junto com os demais
Comensais, como se aquele esforço de anos jamais tivesse sido reconhecido.
Minerva McGonagall também estava horrorizada, e os
olhos penetrantes da mulher escocesa retratavam a angústia daquela situação.
Snape andou
lentamente até a lareira e disse, simplesmente:
-
Entendo.
McGonagall disse,
com sinceridade:
-
Severo, eu sinto muito. Não há nada que possamos fazer para convencer Fudge a desistir da idéia. Alvo já tentou falar com ele.
Dumbledore indagou:
-
Alguma chance de que a Marca Negra em seu braço possa ser apagada?
- Nós
já conversamos sobre isso, Alvo, há muitos anos, e você sabe que não há nenhuma
chance de isso acontecer – garantiu o Mestre de Poções – Essa é a marca da
ligação da minha alma com a alma do Lord das Trevas,
se é que ele possui uma. Este vínculo não pode ser quebrado sem resultar na
minha morte.
A
professora de Transfigurações não estava conformada:
- Tem
de haver um jeito, Alvo!
- Não
há – garantiu Snape – Alguma estimativa de quanto
tempo me resta?
Dumbledore abanou a
cabeça:
- Não,
não, meu querido Severo, você está desistindo muito rapidamente.
-
Diretor, com todo o respeito, não há o que fazer. Minha natureza sonserina me leva a rapidamente aceitar as mudanças. Quanto
antes eu aceitar a realidade do que vai me acontecer, mais cedo poderei agir em
função disso. Posso colocar meus assuntos em ordem, dispor dos poucos bens terrenos
que possuo e talvez –
-
Desculpe, Severo, mas eu não vou aceitar isso de maneira passiva – disse o
Prof. Dumbledore – Se não estou enganado, há um
ritual que pode ser capaz de dar um jeito nesse nosso predicado.
- Um
ritual?
- Um
ritual muito antigo, cuja magia beira o lado das trevas. Mas a menos que eu
esteja muito enganado, esse ritual pode nos ajudar.
-
Como? Não há modo de quebrar o vínculo de almas.
- Não,
você tem razão. Mas se esse vínculo não pode ser quebrado, talvez seja possível
transferi-lo.
- Uma
transferência?
- Para
um outro bruxo poderoso. Alguém que possa re-encenar parte do ritual no qual
você recebeu a Marca Negra e transferir esse vínculo para uma nova alma.
Snape ergueu uma
sobrancelha:
- Eu
teria um novo Lord.
Dumbledore
ressaltou:
- Você
ficaria livre de Voldemort e teria uma vida, o que no
momento você não tem. Felizmente, há muitos anos, você me descreveu com
detalhes a cerimônia em que recebeu a Marca Negra. Podemos reconstituí-la.
Minerva
disse:
- Que
idéia maravilhosa, Alvo! Você poderia ser esse bruxo. Certamente é poderoso o
suficiente.
Os
olhinhos azuis do diretor de Hogwarts brilharam numa
expressão triste:
-
Infelizmente, você está errada a esse respeito, Minerva. Eu não posso ser o
novo Mestre de Severo.
- Por
que não? Não há outro bruxo mais poderoso que você – até Voldemort
teme seu poder!
- Sim,
mas Voldemort se cercou de cuidados para evitar que
uma coisa dessas acontecesse. O ritual que ele perpetrou foi bastante
específico, e uma de suas etapas é um cântico ancestral inteiramente recitado
por um ofidioglota fluente.
Houve
um segundo de silêncio até que suas palavras fossem plenamente compreendidas
por todos. Os olhos de Snape brilharam – e não foi de
contentamento:
- Você
não está falando...! Não pode estar falando sério!... Isso é um absurdo! Tem
que haver um outro jeito!
- Não
há outro jeito, Severo, você mesmo disse que não. Ele é um candidato que
certamente preenche os demais requisitos também – O velho professor bateu
palmas – Dobby!
O elfo doméstico apareceu fazendo PUF bem diante dele.
- Sim,
senhor, Mestre Dumbledore senhor! Chamou Dobby, senhor?
-
Chamei, sim, Dobby; Poderia me fazer o favor de
trazer Harry Potter
imediatamente para cá?
- Sim,
Mestre Dumbledore senhor!
Só
depois que o elfo saiu é que Snape
começou a andar de um lado para o outro.
-
Diretor, sem querer desrespeitá-lo, mas isso é inaceitável. Eu sequer consigo
suportar o menino!
- E
você gostava de Voldemort quando aceitou a marca
dele? – Dumbledore gesticulou com as mãos, impaciente
– Não temos tempo, Severo. Fudge ficou de efetuar a
maldição em algumas horas. Sem Harry, você vai
morrer.
- É
uma perspectiva tão agradável quanto ter um elo desta natureza com Potter pelo resto da minha vida!
- Bom,
veja pelo seguinte aspecto: ainda não sabemos se Harry
vai querer fazer isso para salvar sua vida.
-
Menino mimado.
Primeiro,
Harry tinha que entender exatamente do que se
tratava. Demorou algum tempo até que todos os detalhes fossem explicados para
ele. Harry olhou para Snape,
depois olhou para Dumbledore e quis ter certeza:
- E
essa é a única maneira de salvar sua vida?
-
Exato – concordou Dumbledore – Mas não vou mentir
para você: é perigoso, ainda mais para um bruxo em treinamento como você. Vai
exigir muito de seus poderes, e essa união entre você e Severo será pelo resto
da vida.
Snape rosnou:
- Não
se esforce tanto em convencê-lo, Diretor.
- Harry precisa saber que há riscos.
O
rapaz de apenas 16 anos assentiu:
- Mas
eu estou disposto a enfrentá-los.
A
Profª McGonagall indagou:
- Tem
certeza, Potter? Uma vez feito, não há como desfazer.
- Sim,
senhora, eu tenho certeza. Mas não sei se o Prof. Snape
concorda com essa solução.
Snape estava
recolhendo algumas ervas do escritório e respondeu, sem olhar para ele:
-
Estou numa posição difícil demais para ter preferências. Você diz estar
disposto a salvar minha vida e ter-me como seu servo pelo resto da vida. Eu
terei uma vida inteira para servi-lo.
Harry notou o tom
sarcástico e disse, desafiando:
- Ao
menos você terá uma vida.
- E
que vidinha boa vai ser, não acha?
O
menino ficou vermelho e irritou-se:
- Se o
senhor não quiser, professor, não precisamos fazer nada disso. O senhor pode
morrer tranqüilamente e todos ficamos felizes.
McGonagall disse:
- Potter, ele ainda é seu professor! Não pode falar com ele
nesse tom.
Snape disse
pesadamente:
- Em
breve, Profª McGonagall, ele poderá falar comigo em
qualquer tom. Eu já estou separando os ingredientes para a poção que deve ser
tomada por ambos para o ritual.
-
Então o senhor vai concordar?
- Não
tenho escolha – disse Snape, quase entre os dentes –
Não sou um grifinório orgulhoso que prefere morrer a
ter uma chance de salvar sua vida, mesmo que ela se torne um pouco
desconfortável daqui para frente. Como sonserino,
prefiro salvar minha pele, se eu tiver alguma escolha.
Dumbledore bateu
palmas:
-
Excelente! Fico feliz em ver que vocês se acertaram. Agora vou deixá-los para
prepararem tudo. Já sabe onde vai
encontrar tudo que precisar, Severo. Eu estarei no meu escritório para qualquer
eventualidade. Vamos, Minerva.
Os
dois professores saíram, e Snape colocou uma meia
dúzia de fraquinhos nas mãos de Harry, dizendo:
- Leve
isso, Potter. Eu vou pegar os livros com os cânticos
ancestrais e os demais artefatos.
- Não
vamos fazer o ritual aqui?
- Precisamos
de um altar ritualístico. Eu não guardo um embaixo da cama.
Harry indagou:
-
Precisa ser tão desagradável?
Snape virou-se para
ele e Harry estremeceu, temendo ter ido longe de
mais. Mas o Mestre de Poções disse:
- Eu e
você estamos prestes a estabelecer um vínculo de natureza muito íntima, Potter. Sugiro que tentemos nos tratar com um mínimo de
cortesia daqui para frente.
Harry ajeitou os
frasquinhos e assentiu. Snape catou um volume grosso
e empoeirado, alguns utensílios para fazer a poção e disse:
-
Venha comigo.
Os
dois saíram das masmorras, indo por corredores que Harry
sabia serem pouco utilizados. O Mapa do Maroto o fazia saber de muitas coisas
sobre o Castelo de Hogwarts. Eles subiram um, depois
dois andares.
Snape abriu a porta
de uma sala de aula que Harry nunca tinha visto antes
e ordenou:
-
Entre.
Uma
vez lá dentro, o menino reconheceu o local:
-
Mas... é a Sala Precisa!
Ela
estava diferente: as paredes eram de pedra, havia tochas sustentadas por
archotes e símbolos estranhos pendurados pelas paredes.
Snape disse:
- Acha
que só os alunos mal-intencionados sabem sobre ela? Este é o local onde
realizaremos o ritual. Temos tudo o que iremos precisar.
Harry olhou em
volta:
-
Arrepiante.
- O
que estamos para fazer é igualmente assustador, acredite – ele se instalou em
frente a um caldeirão já preparado e começou a pegar os ingredientes – Eu tenho
duas poções para fazer. Você poderia se começar a se preparar decidindo que
marca pretende usar.
-
Marca?
- Preste
atenção, Potter, e não faça como nas minhas aulas:
escute o que estou dizendo. A Marca Negra vai sumir e vai ser substituída pela
sua.
-
Então vou poder fazer minha própria tatuagem? Legal!
Snape revirou os
olhos:
-
Menino idiota.
Harry ignorou o
comentário:
- Hum, deixe-me pensar o que poderia ser.
- Eu
apreciaria se você dedicasse algum tempo nisso. Essa marca estará na minha pele
pelo resto da minha vida.
- Bom,
qualquer coisa vai ser melhor do que Voldemort
arranjou, né? Pelo amor de Merlin;
uma caveira e uma serpente! Que coisa mais óbvia.
Misturando
os ingredientes, Snape suspirou profundamente e
disse:
- Você
realmente não se esforça, não é, Potter? Não vou nem
entrar no mérito de que você está querendo se comparar ao Lord
das Trevas. Mas sua ignorância é ainda mais profunda. A caveira e a serpente
são símbolos riquíssimos para o auto-conhecimento. A caveira representa a morte
de uma fase, a transição que todo mago deve passar para ter controle absoluto
do poder, uma nova etapa em sua vida. A serpente representa a união eterna,
aquilo que nunca se acaba, bem como o caminho para a iluminação. Quando a
serpente nos morde, o veneno se incorpora ao nosso sangue. Ao mesmo tempo que
nos deixa próximos da morte, isso nos conecta com o que existe de divino dentro
de nós e podemos adquirir uma visão interior. Se alguém for digno o suficiente para
sobreviver ao veneno, terá conquistado a sabedoria. Portanto, Potter, trate de pensar muito bem se pretende ter uma marca
capaz de substituir a Marca Negra.
Harry estava
boquiaberto, pois jamais teria imaginado a profundidade dos símbolos utilizados
por Voldemort.
-
Eu... não sabia.
- Esse
é o seu problema, Potter. Você não sabe, e ainda
assim mete-se onde não é chamado. Ao que tudo indica, minha tarefa nos próximos
50 anos será a de tirá-lo das encrencas que você próprio se mete! Agora vá logo
fazer sua marca antes que eu me arrependa.
Enquanto
Snape continuava a preparar as poções, Harry começou a desenhar num pedaço de pergaminho. O rapaz
pensou, pensou, pensou e por um bom tempo, a sala ficou em silêncio até o
caldeirão começar a borbulhar. Snape separou um pouco
num frasco e adicionou uma outra erva no caldeirão fervente, depois apagou o
fogo.
Harry levou o
pedaço de pergaminho até ele:
- Que
tal?
Snape examinou o
papel e disse, sarcástico, ao ver o desenho:
-
Muito criativo, Potter. Uma vassoura e as letras HP.
É um espanto que sua mente funcione nas aulas e em outros lugares se tudo no
que você pode pensar é quadribol.
- Não
se trata disso! – Harry se irritou – Não é quadribol. É a vassoura de um bruxo, uma vassoura que voa e
que dá a perfeita sensação de liberdade. Eu gosto de pensar nessa transferência
como sua libertação de Voldemort.
Snape ficou calado
um minuto. Depois disse:
-
Certo. Como achar melhor. Agora beba.
- O
que é isso?
-
Uísque de fogo com gelo – disse Snape, azedo – É uma
poção, Potter! Precisa beber enquanto ainda está
quente.
Ele
obedeceu e fez uma careta:
- Você
também não tem que beber?
- A
minha poção precisa ser fria e é diferente da sua. Muito bem, acho que com isso
estamos quase prontos. Podemos fazer a cerimônia adaptada. Pode ler esse trecho
em língua de cobra?
Harry olhou para o
livro aberto e pronunciou algumas palavras para experimentar.
- Sim,
acho que sim.
-
Então é melhor você se preparar, Potter. Saiba que
uma vez iniciada a transferência, o Lord das Trevas
vai sentir o vínculo sendo desfeito. Desnecessário dizer que ele não ficará
satisfeito com isso e vai atacar. Se você achou as aulas de Oclumência
invasivas de sua mente, vai ter saudade delas quando
o Lord das Trevas atacar.
-
Muito animador.
-
Ainda há tempo de recuar, se isso o assusta.
- Não,
vamos em frente.
-
Procure fortalecer sua mente contra a invasão. Ela deve ocorrer com mais força
na hora do cântico, enquanto você estiver cantando na língua de cobra. É a
parte mais crucial do ritual.
- E
antes disso, o que vai acontecer?
- Bem,
assim que eu tomar minha poção, eu me postarei no altar. Você pega o punhal
ritualístico e dá cortes nas palmas de nossas mãos, as duas, e nós nos damos as
mãos. Você precisa estar encostando sua pele em minha pele para começar a
cantar enquanto nosso sangue estiver fluindo conjuntamente.
- Só encostar
a mão não basta?
- Não.
Estaremos os dois nus em cima do altar.
Harry arregalou os
olhos verdes:
- O
quê? Pelados? Por quê?
- Harry, isso é necessário.
- Isso
é perversão! Eu sou menor de idade! E não sou gay!
- Nem
eu, seu garoto idiota! Pare com esse senso de moralidade trouxa, ou eu conto
para você o verdadeiro motivo de precisarmos nos despir.
Harry arregalou os
olhos ainda mais:
- Não
é... sexual, é?
O rosto
de Snape se transformou numa máscara:
- O Lord das Trevas discordaria de você. Ele disse que o ritual
era uma demonstração de submissão de mente, corpo e alma. Por isso o sexo era
necessário. Mas na verdade, era apenas uma preferência particular dele. Uma...
bem dolorida.
Uma
dor profunda se instalou no coração de Harry com essa
revelação. Snape tinha sido estuprado por Voldemort. Por um minuto, ele pôde ver um jovem Snape, cheio de sonhos de poder e glória, sendo usado e
humilhado por Voldemort, provavelmente na frente dos
outros Comensais. Harry imaginou que humilhação
poderia ser maior do que essa...
- Isso
é... cruel – foi o que pôde dizer.
- Uma
boa definição para o Lord das Trevas – Ele foi até o
frasco separado e tomou a poção – Está na hora. Agora pode se despir, Potter.
A
contragosto, Harry obedeceu, especialmente vendo que Snape fazia o mesmo. O Mestre de Poções estava de calças e
camisa branca quando aumentou o fogo da lareira, diminuindo o desconforto de Harry.
Duas
pilhas distintas de roupas rapidamente se formaram ao lado do altar de pedra. Snape deitou-se de barriga para cima, exposto, e explicou,
a voz um tanto trêmula:
- A
poção foi feita para me deixar ligeiramente tonto. Não poderei acompanhá-lo
passo a passo, Potter. Tem certeza de que sabe os
passos daqui por diante?
Harry ficou um
pouco inseguro, mas disse:
- Sim,
senhor, acho que sim.
Os
olhos de Snape pareciam lutar para ficarem abertos:
-
Lembre-se: esvazie sua mente para que o Lord das
Trevas não tenha onde se agarrar para impedir a transferência. Se precisar,
faça uso de minha mágica. Use meus poderes.
Harry arregalou os
olhos:
-
Sugar seus poderes? Mas... isso é perigoso!
- Potter, por isso essa cerimônia é perigosa – Snape parecia tão tonto que a voz começava a se arrastar –
Vamos logo com isso! Não temos tempo...!
Trêmulo,
Harry pegou o punhal e desferiu cortes nas palmas de
suas mãos. Depois ele fez o mesmo nas mãos longas e esguias de Snape. Mas para fazer o sangue circular entre os dois
corpos, ele teve que subir no altar e montar em cima do corpo de Snape, ao mesmo tempo começando a cantar os ruídos
sibilantes típicos de um ofidioglota.
Foi
então que ele sentiu. A energia fluía entre os dois corpos, e ele tremia
ligeiramente, sua mente tentando se esquivar do fato de que ele estava pelado
em cima de seu professor de Poções também nu em pêlo, trocando mais do que
impressões sobre a noite sem lua. Quanto mais ele cantava, mais ele sentia seu
corpo invadido pelo poder do Mestre de Poções – e Harry
se deu conta de que Snape era efetivamente um bruxo
poderoso. Seus próprios poderes ainda eram muito crus e indisciplinados, ele
constatou com uma pitada de embaraço.
Foi
quando uma terceira onda de energia se juntou aos dois, e Harry
conheceu o ódio. Aquilo não era nada parecido com as invasões de mente que Voldemort fazia através da sua cicatriz: era ódio puro e
desenfreado! Harry podia sentir a frustração de Voldemort, as tentativas que ele fazia de separar a energia
de Harry e de Snape. Harry sentiu o Lord das Trevas tentar
atingi-lo por lhe roubar um servo – ele era possessivo em especial com Severo,
a quem gostava de impor humilhações numa periodicidade regular. E Snape agüentava tudo pelo bem maior da Ordem da Fênix. Harry sentiu a admiração pelo Mestre de Poções crescer um
bocado.
Talvez
tenha sido esse tipo de sentimento que fez Snape
arquear o corpo, sentindo uma nova energia invadi-lo. Como receptáculo de seu
novo Mestre, ele não podia lutar contra a invasão, mas imediatamente notou a
diferença do vínculo. O braço ardeu intensamente, e ele gritou de dor quando a
Marca Negra foi embora, mas foi uma dor menor do que aquela que experimentou quando
a Marca Negra entrou no seu braço.
Havia
calor, constatou Snape. A sensação perpétua de frio e
solidão parecia ter diminuído bastante com o calor e a proximidade de uma nova
energia. Parecia estar aquecido até em sua alma. Não havia dor. Não havia mais
dor. Nunca mais.
Depois
de alguns minutos de ataque implacável contra sua mente, Harry
sentiu a onda de energia invasora se afastando, incapaz de se segurar em
qualquer lugar. E ele sentiu-se mais fortalecido com a segunda energia, pois
ela lhe dava sustento e amparo.
Com um
suspiro, Harry sentiu as forças lhe faltando e caiu
em descanso profundo.
Quando
ele voltou a si, sentiu seu corpo nu coberto por uma capa preta. Snape estava de pé, a seu lado, vestido com o paletó cheio
de botões e encarando-o com uma expressão preocupada.
Harry sentou-se:
- Você
está bem?
Snape assentiu:
- Sim.
Aparentemente tivemos sucesso.
Harry notou alguma
coisa estranha na voz de Snape. Ela parecia mais
suave, sem aquele tom ácido que Snape geralmente
usava quando falava com Harry.
- É
melhor você se vestir se não quiser pegar um resfriado.
Num
impulso, Harry pegou o braço de Snape
e então viu: lá estava, a pequena vassoura que ele desenhara para ser sua marca,
com as letras HP em cada lado da vassourinha. Aquele era a evidência de que Snape agora era seu servo.
Ele
ainda não se acostumara àquela idéia.
Harry começou a se
vestir, indagando:
- E
agora?
-
Agora eu pertenço ao senhor, Lord Potter.
Harry parou o que
estava fazendo e arregalou os olhos:
- Não
precisa brincar, professor.
Snape não estava
rindo:
- Eu
não estou brincando, meu Mestre. Tenho que me dirigir ao senhor com respeito.
Harry olhou para
ele e viu que ele estava falando sério. Ficou constrangido:
- Não
precisa fazer isso, professor.
- Pode
me chamar de Severo.
-
Então me chame de Harry.
- Não
posso. O vínculo impede.
- Não
pode voltar a me chamar de Sr. Potter?
- Isso
eu posso fazer.
- Tá. Então vamos combinar assim: você me chama de Sr. Potter e eu o chamo de Prof. Snape.
Nada de Lord Potter.
- Sim,
meu Mestre.
- E
nada de Mestre também.
- Pode
me chamar do que quiser, Sr. Potter. Eu pertenço ao
senhor.
Harry ficou
perturbado com outra coisa:
-
Escuta, essa coisa de vínculo de alma: você não pode ler minha mente, pode?
Tipo, se eu estiver pensando alguma coisa, você pode saber o que é?
- Não
se não quiser que eu saiba. O senhor, por outro lado, tem chance de penetrar
minha mente sempre que lhe aprouver.
Harry terminou de
se vestir, e parou quando ia fazer o nó da gravata, pensativo:
-
Nossa. Isso muda tudo, não é?
- Com
sua permissão, vou falar como Prof. Dumbledore para
providenciar um professor de Poções. Obivamente eu
não sirvo para lhe dar aulas.
- Mas
do que está falando?
-
Nosso vínculo me impede de avaliá-lo com objetividade. Posso ensinar-lhe Poções
em aulas particulares, mas não posso tê-lo na minha sala de aula.
-
Faria isso? Daria aulas particulares para mim?
- Com
prazer. Se precisar de outros conselhos, também ficarei feliz em ajudar. Sobre
sexo, por exemplo –
Harry franziu o
cenho:
- Não,
tudo bem. Não preciso de aulas de educação sexual.
Snape meneou a
cabeça, numa ligeira reverência:
- Se
preferir... Mas posso deixá-lo à vontade com o assunto.
- Eu
já disse que eu não sou gay!
- Meu
amo, eu apenas desejo lhe proporcionar maior entendimento sobre o assunto.
- Você
não está... se... oferecendo, está?
- Meu
corpo é seu para usar como quiser – disse Snape, com
um ar totalmente despreocupado – Mas eu pensava em conhecimento teórico vindo
de alguém mais experiente. Diga-me, Lord, quero
dizer, Sr. Potter, o senhor é virgem?
Harry ficou vermelho
até a raiz dos cabelos:
- E
daí se eu for?
-
Dezesseis anos, virgem e com hormônios nas alturas não é uma boa combinação
para que sua primeira vez seja memorável. Se eu puder ajudar, falar sobre
chances de conquistas, fazê-lo entender suas parceiras, estou às ordens.
- Eu
não quero usar você – disse ele – Não quero ser como... ele.
- O
senhor não tem nada parecido com Lord Voldemort.
Harry ficou
abismado:
-
Você... falando o nome dele?
-
Agora que não tenho a marca Negra, posso me referir livremente a ele. Meus dias
de espião para a Ordem também acabaram.
- Vai
sair da Ordem? Você é um bom membro. Fez muita coisa boa. Não gostaria que se
afastasse.
Snape fez uma
reverência.
- Seus
elogios me enchem de honra, e a seu pedido permanecerei como soldado da Ordem
da Fênix. Pode estar certo de que eu o protegerei em todas as ocasiões. Voldemort não ficou satisfeito por ter me perdido, disso
pode ter certeza. Espero que sua vingança seja terrível.
Harry abriu a boca
para expressar sua preocupação quando uma batida à porta o interrompeu. Ele
olhou para Snape, de olhos arregalados:
- Quem
sabe que estamos aqui?
- Dumbledore, quem mais?
Dito e
feito. Assim que abriu a porta, o Prof. Dumbledore
apareceu, com um sorriso e um brilho nos olhos:
- Ah,
Severo, Harry, eu não pretendia interromper, mas algo
surgiu. A cerimônia já teve início?
- Já
terminamos – disse Snape – Correu tudo conforme o
previsto.
-
Excelente, excelente – disse Dumbledore – Mas uma
coisa aconteceu. Aparentemente a história do que o Ministério pretende fazer se
espalhou. E descobrimos outra pessoa em Hogwarts com
a Marca Negra.
Snape empalideceu.
Ele tinha uma idéia de quem podia ser.
- Não
seria...?
-
Receio que sim – Com a expressão mais inocente do mundo, Dumbledore
se virou para o Menino-que-sobreviveu – Harry, minha
criança, você estaria disposto a salvar outra vida hoje?
Harry ficou
intrigado:
- Tem
um outro Comensal em Hogwarts? Eu não sabia disso.
-
Ninguém sabia, Harry. Ele conseguiu esconder isso,
aparentemente até de Severo.
- Ah,
deve ser um sonserino – disse o rapaz – Está bem,
vamos ver o que podemos fazer por ele.
Dumbledore se virou
e chamou uma pessoa, que apareceu na porta e fez o queixo de Harry cair:
- Malfoy!
O
menino estava assustado:
-
Prof. Snape! O que Potter
tem a ver com isso?
-
Tenha calma, Sr. Malfoy – disse Snape.
-
Calma? Calma? Como posso ter calma quando aqueles idiotas do Ministério estão
para varrer da face da terra todos com a Marca Negra? Eu recebi a minha semana
passada, numa cerimônia secreta. Se eu soubesse, teria tentado adiar.
Dumbledore disse:
- Draco, você tem a chance de sobreviver. Basta aceitar que a
marca seja transferida para um outro bruxo. Você ganharia um novo Mestre.
Ele
olhou para Snape:
- Sem
problema. O Prof. Snape seria um Mestre excelente.
- Não
é o Prof. Snape.
Os
olhos cinzas de Malfoy se arregalaram e ele exclamou:
- O
quê, Potter?! Isso é um absurdo! Esse pirralho metido
com a gentalha, ser um Lord das Trevas?! O *meu* Lord?
Snape corrigiu:
- Não um
Lord das Trevas. Mas um Lord
ainda assim. E comparando com o que você tem agora, é muito menos... dolorido.
Os
olhos de Malfoy se arregalaram ainda mais quando ele
se deu conta do que estava acontecendo:
-
Prof. Snape, o senhor... não! O senhor já se entregou
a ele, não é? Isso não pode estar acontecendo! Não pode ser!...
-
Acredite, Sr. Malfoy, o Sr. Potter
pode ser uma alternativa viável. E entrar para seu servilo
em nada se parece com o recrutamento de Voldemort.
Harry lembrou,
contrariado:
- Malfoy, sabe que eu não sou obrigado a fazer isso?
- Isso
é um pesadelo! – dizia o sonserino – Um pesadelo
terrível!...
Snape perdeu a
paciência:
- Ora,
pare com dramalhão! Você não tem escolha e sabe disso. Ou você aceita o vínculo
com o Sr. Potter, ou vai morrer em questão de horas.
Todos os Comensais estarão mortos quando a maldição for lançada.
Draco ficou ainda
mais pálido:
- Meu
pai...!
-
Lamento, mas nada podemos fazer por ele. Sabe que ele está incomunicável em Azkaban. Não haveria tempo para nada.
Harry disse:
- Por
ele, eu não faria isso. Lúcio Malfoy tentou me matar
diversas vezes. Ele é frio e impiedoso. Já o Prof. Snape
salvou minha vida, e você, Malfoy, é só um babaca,
não um assassino. Por isso estou concordando. Mas você quer ou não quer?
Contrariado,
rangendo os dentes, Draco Malfoy
explodiu:
- Está
bem! Está bem! O que eu tenho que fazer?
Harry não pôde
evitar sorrir, pegando o punhal ritualístico:
- Vai
tirando a roupa, doninha!
- O
quê? Que história é essa?
Snape tentou
acalmar seu aluno:
- É
parte da cerimônia. Você passou pela cerimônia, Sr. Malfoy,
sabe como é. Lord Potter,
eu sugiro moderação.
- Por
quê? Ele vai ser meu, e eu pretendo aproveitar cada minuto disso – Harry sorria – Puxa, espere até eu contar isso pro Ron e para Hermione! Ainda tem
daquela poção?
Snape assentiu:
- As
duas poções estão prontas, Sr. Potter. Posso sugerir
que se apresse?
Dumbledore perguntou:
-
Posso ficar e assistir?
Draco olhou para
ele:
- Ew! Velho pervertido!
- Vê
lá como fala com o diretor, doninha, ou eu acabo com tudo agora mesmo e deixo
você morrer com muita dor e tormento. Como é? Ainda tá
vestido por quê?
Ele
obedeceu, extremamente contrariado:
- Argh! Eu te odeio, Potter!
- Lord Potter para você. Vamos,
ainda faltam as cuecas – Draco tirou a última peça de
roupa e tapou a genitália com as mãos – Agora deite-se no altar.
Snape disse:
- Vou
aumentar a lareira. Sr. Potter, é melhor o senhor se
despir também.
- O
quê? Potter também vai ficar pelado?
- Você
sabe que sim, Draco. Não foi isso que Voldemort fez com você?
Nesse
momento, Draco ficou vermelho e não falou nada. Foi
aí que Harry soube: Voldemort
costumava humilhar seus Comensais. Deixando de lado o tom ácido, o rapaz
garantiu:
- Não
se preocupe, Malfoy. Eu não vou fazer o mesmo que ele
fez.
Harry se despiu e
subiu no altar, montando em cima de Malfoy para as
etapas seguintes do ritual. Ao contrário de Snape, Malfoy não era exatamente um sonserino
maduro e controlado que aceitava seu destino: ele protestou e esperneou, até
chorou quando suas mãos foram cortadas. Só depois que a poção o deixou tonto é
que ele se acalmou um pouco, mas ainda gemia e termia de medo.
Harry, por outro
lado, vivia as mesmas emoções do primeiro ritual, desta vez, com um pouco mais
de tensão. Draco não era tão comportado ou controlado
quanto Snape, e estabelecer um vínculo com ele foi
mais difícil. Mas foi muito mais complicado vencer Voldemort,
que resistiu o quanto pôde a perder mais um de seus discípulos. Harry estava extremamente cansado quando desceu do altar. Draco estava desmaiado.
Snape passou-lhe
suas roupas:
-
Aqui.
Pegando-as,
Harry perguntou, olhando Draco:
- Ele
está bem?
- Ele
vai ficar bom. Posso cuidar dele, se assim o desejar.
Alguma
coisa no jeito de Snape falar estava dando nos nervos
de Harry. Ele quis saber:
- Você
não vai mais me dar bronca? Pegar no meu pé?
- O
senhor sabe que não posso fazer isso. O vínculo não permite.
-
Muita gente vai desconfiar.
- Por
isso a necessidade de trocar de professor. Os outros vão desconfiar.
Dumbledore, que
estivera calado, até então, chegou-se perto de Harry
e disse:
- O
Prof. Snape vai deixar de ser seu professor, mas
vocês certamente não vão deixar de se ver. O vínculo entre vocês é muito forte.
Agora.
Harry lembrou:
- Mas o
ano está terminando e eu vou ter que voltar para os Dursleys.
Gostaria de nunca ter que voltar para lá.
Snape sugeriu:
- O
Sr. Potter poderia ficar em Hogwarts
nesse verão.
Dumbledore abanou a
cabeça:
- Não,
Severo, sei o que você está tentando fazer, mas o lugar do menino é com sua
família. Existe muito em jogo, e lá ele estará protegido por um feitiço
ancestral.
Snape virou-se para
Harry e disse:
- Mas
se precisar de ajuda, sabe como me chamar. Sua marca poderá me convocar. Não
será bom sermos vistos freqüentemente juntos. Poderá levantar suspeitas.
Naquele
momento, Draco despertou e grunhiu:
- Ah,
droga. Então está feito.
Harry disse:
- Sim,
Malfoy, está feito.
- E
agora eu pertenço a vo- quero dizer, ao senhor – ele
fez uma careta – Senhor? Que diabo eu estou dizendo?
Snape explicou:
- É o
vínculo. Agora você não pode destratar o Sr. Potter.
- Ah,
droga! Metade da diversão da minha vida se foi!
- Mas
você ganhou sua vida de volta, Draco – lembrou Dumbledore – Agora vista-se e volte para Sonserina. Lembre-se: ninguém pode saber o que aconteceu.
- Mas
Vincent e Greg vão saber que algo estranho aconteceu,
quando eu não conseguir mais pregar peças em... quero dizer, no Sr. Potter.
Harry sorriu ao ver
a careta que Draco fazia.
-
Então você vai arrumar uma desculpa bem convincente – disse Snape
– Você agora deve servir ao Sr. Potter.
- Sim,
senhor. Posso ir agora?
- Sim,
pode ir.
O sonserino saiu rapidamente, olhando por cima dos ombros
para o garoto com quem agora tinha um vínculo de sangue e de alma. Harry estava um tanto surpreso com aquilo tudo ainda. Snape garantiu:
- Foi
bom ter um vínculo com Malfoy. As ligações de suas
família serão muito úteis.
- Malfoy agora vai ser meu amigo?
- Não,
mas ele vai entrar nos eixos, eu acredito. A não ser que ele aceite ser espião
para Voldemort.
Harry disse,
sombrio:
-
Disso ele é capaz.
- Eu
saberei se ele tentar – garantiu Snape – E poderá
lidar com ele do seu jeito.
Dumbledore disse:
- É
melhor agora vocês descerem. Já está na hora de os estudantes entrarem em seus
dormitórios.
- Sim,
senhor.
Harry desceu,
sabendo que sua vida tinha mudado. E mudou.
A
Profª Vector foi convocada para lhe dar Poções, e
muita gente em Grifinória achou que Harry finalmente tinha irritado o Mestre de Poções o
suficiente para ele ser expulso de sua sala. Ele só contou a verdade para seus
amigos Rony e Hermione. Rony, desnecessário dizer, não ficou muito entusiasmado com
o vínculo entre Harry e Snape,
mas adorou o vínculo com Draco.
No
Expresso de Hogwarts, de volta para casa, o ruivo
ainda se ria sozinho:
- Rarará! Eu vi que Draco estava
tentando aprontar uma comigo, mas assim que ele viu você, Harry,
ele se afinou rapidinho e saiu de cena.
Hermione disse:
- Mal
acredito que Draco vai nos deixar em paz. A vida vai
ganhar outro significado.
Harry não riu:
- Snape disse que ele pode virar espião para Voldemort.
Neville Lomgobottom chegou correndo no compartimento onde o trio de
Grifinória estava, os olhos arregalados como se
tivesse visto a própria avó voando ao lado do Expresso de Hogwarts,
e disse:
-
Vocês sabiam? O Prof. Snape está no trem!
Rony olhou para Harry, mas disse:
- Snape? Ele nunca fez isso! O que o babacão
oleoso está querendo? Carona para Londres?
- Eu
nem sabia que ele conhecia o mundo trouxa!
Harry disse:
- Eu
posso ir falar com ele, se quiser.
Rony disse,
alarmado e disfarçando:
- Está
louco? Ele já te expulsou da aula dele! Imagina o que ele pode fazer no trem,
com Dumbledore longe?
O
pensamento aterrorizou Neville ainda mais, e o rapaz
dentuço disse:
- É, Harry, você vai se complicar ainda mais. Posso... posso
ficar aqui com vocês?
- Tudo
bem, Neville. Quer jogar um pouquinho de Snap?
E foi
lá que Neville se refugiou até o fim da viagem, mas
ao contrário do que Harry esperava, Snape não apareceu no seu compartimento.
Quando
o trem chegou à estação, Harry catou seu malão e a gaiola de Edwiges,
despedindo-se de seus colegas e já esperando que o verão passasse rápido.
Entre
as plataformas 9 e 10, ele localizou seu tio Válter,
que tinha vindo sozinho para levá-lo de volta à Rua dos Alfeneiros.
Ao chegar perto dele, uma voz rica e sensual soou atrás das costas de Harry:
- O
senhor é Dursley?
O
mastodonte de bigode olhou de cima a baixo para Snape
e indagou, com o máximo de hostilidade:
- Sim,
e o que você tem com isso?
Snape o encarou com
um brilho perigoso nos olhos:
- Meu
nome é Snape, e eu sou um professor do Sr. Potter.
O
gordão arregalou os olhos:
- Você
é... um deles?
- Com
certeza. E quero assegurá-lo de que nós cuidamos dos nossos, Sr. Dursley. Se chegar ao meu conhecimento que o Sr. Potter passou por qualquer desconforto enquanto esteve sob
sua guarda, fique certo de que terá notícias minhas. E não serão notícias
agradáveis.
Válter Dursley ficou vermelho e explodiu:
- Mas
que mania é essa de sua gente de ficar ameaçando as pessoas normais?
Snape endureceu a
voz e garantiu:
- Eu
não faço ameaças, apenas emito avisos. Avisos esses que são seguidos por ações
geralmente desconfortáveis. Se o senhor quiser maiores informações sobre minha
reputação, pode perguntar diretamente ao Sr. Potter. Estou
aqui a pedido do diretor de Hogwarts e tenho
delegação para usar quaisquer meios necessários para garantir a segurança e o
bem-estar do Sr. Potter. Espero ter sido bem claro.
Harry tinha passado
a vida em Hogwarts sendo mal-tratado por Snape, então ele conhecia o tom de voz de seu ex-professor
de Poções quando ele falava sério. Mas Harry nunca
tinha visto Snape ameaçando ninguém. Era assustador.
Tio Válter também achava a mesma coisa, porque de repente toda
a cor fugiu-lhe das faces e ele disse:
- Sim,
sim, senhor. Foi muito claro.
Snape se virou para
Harry e disse:
- Sr. Potter, assegure-se de me mandar correspondência
regularmente com relatórios sobre seu verão. Eu estarei inspecionando esse
assunto pessoalmente.
- Sim,
Prof. Snape.
- Aproveite
suas férias, Sr. Potter – ele inclinou a cabeça
polidamente - Sr. Dursley.
Snape deu meia
volta e saiu dramaticamente, suas vestes ondulando como que enfatizando tudo
que ele tinha acabado de dizer. Harry olhou-o sumir
entre a multidão da estação de trem contendo um sorriso, especialmente diante
da expressão aterrorizada do tio Válter.
Se a
vida daqui para frente seria assim, Harry podia dizer
que iria gostar. Ah, se iria.
FIM