Nome da fic:
Severo, meu amor
Autor: Magalud
Par: Severo/Personagem Original
Censura: PG-13/R
Alerta: Angst, morte de personagem
Gênero: Romance, Drama AU
Spoilers: Eu costumo usar spoilers
de todos os livros.
Resumo: Uma carta para Severo
Agradecimentos: Betas, Cris e Janny
sempre moraram no meu coração, Snape
inspirou. Desta vez Alan Ayers ajudou na
inspiração.
Disclaimer: Todos esses personagens são de
J.K. Rowling. Não estou levando grana nenhuma,
só satisfação.
Severo, meu amor:
Aqui estou eu, no balcão da
Mansão Snape, olhando para as paisagens que
costumávamos olhar juntos. Você vinha por
trás de mim, enlaçava-me a cintura e me
beijava o pescoço, dizendo que meus cabelos tinham um cheiro
único, um que sempre o fazia se lembrar de mim.
Olhávamos o campo, as imensidões de terra deixada por seus
ancestrais, e suspirávamos, nos braços um do outro, pensando que
a vida poderia ser sempre assim.
Jamais poderei lhe dizer das
alegrias que tive a seu lado. Ainda me lembro como nos conhecemos. Eu fui
à Panacéia Herbanário, em Hogsmeade,
comprar algumas ervas para meu patrão e lá estava você,
fazendo um pedido para suas aulas em Hogwarts. Claro
que eu tinha sido sua aluna em Hogwarts uns poucos
anos antes, mas eu só o conheci naquela tarde de sábado, quando
você olhou para mim e se lembrou do nome. Fiquei radiante durante dias,
pois jamais imaginava que você fosse se lembrar de mim, uma aluna que
tinha passado por suas aulas de maneira apagada, temerosa
demais de seu temperamento terrível para com seus pupilos.
Algumas semanas mais tarde, eu fui
buscar algumas ervas para mim, e lá estava você de novo. Dessa vez
nos engajamos em conversação civilizada, e eu me lembro de ter
ficado admirada de mim mesmo. Eu estava conversando com você normalmente,
sem gaguejar ou suar frio. Você também ajudou, pois me tratou com
distinção e cortesia. Depois, a surpresa: você se ofereceu
para me acompanhar de volta ao meu serviço.
Fiquei meio envergonhada.
Difícil imaginar alguém que se forme em Hogwarts
e depois de 7 anos de estudo, esteja fazendo roupas na
Trapos Felizes Moda Bruxa. Mas eu gostava de desenhar capas, paletós,
vestidos e mantos. Sou uma moça tradicional, e num arroubo de ousadia,
elogiei suas roupas. Elas lhe caem de maneira muito elegante e clássica,
até hoje eu acho isso. Seu senso de moda sempre foi impecável.
Você pareceu surpreender-se com minha observação, e
perguntou se eu tinha hora para sair do emprego. À noite fomos tomar um
café, e eu estava cada vez mais surpresa com seu senso de humor
refinado, o sarcasmo ferino e inteligente, os olhos faiscantes. Acho que estava
me apaixonando naquele nosso segundo encontro.
Mais encontros
se seguiram, e eu estava encantada com
sua companhia. Na época, eu ainda morava com meus pais, e eles o
receberam com muito gosto, pois afinal, você é uma pessoa
importante dentro da sociedade bruxa. Meu pai estava um pouco preocupado com os
boatos e teve uma conversa séria comigo. Ele tentou me dizer que
você era suspeito de ser um Comensal da Morte, e que eu poderia estar me
enganando achando que você era um bruxo bom. Infelizmente, meu
coração já lhe pertencia, Severo. Se você fosse
mesmo um Comensal da Morte, eu tentaria tirá-lo das garras de Você-Sabe-Quem, fazê-lo voltar para o lado da
Luz. Bobagem minha, eu sei hoje, mas na época eu achava que poderia
salvá-lo. Ah, o amor é mesmo uma força poderosa e
maravilhosa, não acha?
Depois de um tempo indo ao
Três Vassouras, resolvemos nos aventurar pelo mundo trouxa e conhecer um
pouco das diversões deles. Confesso que foi muito excitante, a
começar pelas roupas. Eu usei um vestido, e vi que a maioria das pessoas
da minha idade usava uma coisa chamada calças jeans. Você foi
muito paciente e me deixou comprar uma dessas. Foi muito
interessante – os espelhos deles não falam, as fitas
métricas não são auto-reguláveis e as cabines de
prova não têm feitiço de opacidade, têm cortinas.
Mas nada bateu a
excitação do divertimento trouxa. Meu preferido é
até hoje o tal cinema. Muito excitante, parece um desfilar seriado de
fotos bruxas! Mas fomos também ao teatro e até uma danceteria.
Nesse lugar, trocamos nosso primeiro beijo. Jamais vou me esquecer. Você parecia não estar se
divertindo muito com o barulho da danceteria, e tentou me tirar para
dançar enlaçando-me a cintura. De repente, nossos lábios
se encontraram, e ficamos a nos beijar um bom tempo, trocando carícias.
Terminamos não dançando, saímos dali para um lugar mais
aconchegante.
Claro que não demorou muito
para pensarmos em nos tornamos íntimos. Devo confessar que tive medo a
princípio de que você conseguisse o que queria e me abandonasse.
Mas eu deveria saber. Fomos para o mundo trouxa, alugamos um quarto num hotel
respeitável e fizemos amor, entregando-nos à paixão. Ali,
você me pediu em casamento, dizendo que queria ter aquilo para a vida
toda. Nem precisei pensar muito, pois meu coração já era
seu há muito tempo.
Ah, Severo, meu amor por
você nunca diminuiu. Quando você me pediu em casamento, você
me contou seu segredo – suas atividades de espião. Confesso ter
ficado um pouco assustada pelos riscos que você corria. Mais do que isso,
porém, minha admiração por você aumentou, por sua
coragem e seu comprometimento com a causa da Luz.
Por causa disso, nosso casamento
teve que ser discreto. Foi uma cerimônia em Hogwarts,
só para uns poucos professores e meus pais. Tive que pedir muito cuidado
às poucas amigas para quem eu contei estar casada. A maior parte das
minhas relações (como por exemplo
colegas de trabalho) achava que eu ainda estava namorando você.
Mas eu me mudei para a
Mansão Snape, depois da magnífica
lua-de-mel na Paris mágica. Se Paris já é uma festa,
imagine a parte mágica da cidade, em pleno Quartier
Latin, escondida dos trouxas. Eu adorei a champanhe mágica, cujas bolinhas mudavam de forma
para formar coraçõezinhos em homenagem
aos recém-casados. Ah, que horas felizes! Que momentos de contentamento
e satisfação. O mais interessante foi que nós nos
divertimos muito e depois usamos um vira-tempo para ninguém suspeitar
que você tinha se ausentado de Hogwarts.
Como eu já suspeitava que
aconteceria, não costumávamos passar muito
tempo juntos, com ele em Hogwarts e eu
trabalhando em Hogsmeade. Mas sempre que
podíamos, estávamos contentes. Eu jamais reclamei disso, mesmo
com toda a dor que sua ausência me causava, Severo.
Mas sua presença compensava
todo o tempo que passávamos distante um do outro. Nunca pude pedir
marido mais carinhoso, mais confiável, mais amoroso. Eu respeitava suas
horas de isolamento em seu laboratório, tratando de suas ervas,
elaborando suas poções. Nessas horas eu gostava de ficar na porta
do laboratório, observando-o trabalhar, memorizando cada
expressão de concentração no seu rosto, a
satisfação estampada quando a poção ficava a seu
gosto.
Tivemos pouco mais de dois anos de
casamento, um tempo que considero o mais feliz de minha vida. Sua perda foi uma
grande tragédia na minha vida. Mas tudo isso fazia parte dos riscos que
você assumiu e eu aceitei. Era algo a que estávamos sujeitos. Voldemort – hoje eu falo o nome dele –
descobriu seu jogo duplo e executou-o depois de fazê-lo sofrer. Oh, meu
amor, só de pensar no quanto você sofreu faz meu
coração se apertar.
Fui muito feliz a seu lado, meu
amor. Hoje quando ando sozinha por essa mansão vazia, gostaria de ter
sido abençoada com um filho ou filha, apenas para olhar para ele e pensar
que um pouquinho de você continua a meu lado. Mas isso é bobagem,
eu sei. Porque você continua a meu lado. Eu acredito que a morte
não é o fim, apenas uma passagem para um outro lugar, um lugar onde iremos nos encontrar mais adiante. Logo estaremos juntos
novamente.
Hoje eu me dedico a
"limpar" seu nome. Entrei com diversas petições junto
ao Ministério da Magia não só para apagar todas as
referências ruins ao seu nome nos arquivos mas
também para que você seja condecorado com uma Ordem de Merlim postumamente. Sua morte foi noticiada discretamente
no Profeta Diário, e eu fui reclamar. Afinal, aquilo não
era maneira de se tratar um herói de guerra. Um repórter veio me
entrevistar, e a reportagem dele foi bem mais favorável do que a que
tinha saído anteriormente. Uma foto sua foi publicada junto ao artigo.
Você estava lindo na foto. Eu guardei o recorte.
Deixei o trabalho na Trapos Felizes e o Prof. Dumbledore
me convidou a trabalhar em Hogwarts, cuidando da
contabilidade da escola. Aceitei de bom grado, embora você tenha me
deixado bem o suficiente para eu nunca mais precisar trabalhar. Mas voltar a Hogwarts me fez bem, pois me faz ficar mais perto de
você. Amo aqueles corredores por onde você andava, suas capas esvoaçantes fazendo os alunos tremerem, cada pedra
daquele lugar parece guardar um pedaço de você.
Puseram um grande retrato bruxo
seu nas masmorras. Às vezes eu vou lá para vê-lo e seu
retrato sorri para mim quanto ninguém está por perto. É
uma maneira de ficar perto de você. Mas resolvi escrever essa carta
porque sinto falta de sua voz aveludada, que tanto me seduziu, de seus modos
elegantes, de seus comentários ferinos. Escrevendo para você
pareço vê-lo a meu lado, mexendo pacientemente uma
poção, ocasionalmente falando comigo sobre as propriedades das
ervas e ingredientes mágicos.
Sim, você me faz grande falta, Severo. Mas eu creio firmemente num
reencontro, além do tempo, além das fronteiras desta terra.
Não sei por quanto tempo mais estarei aqui, mas um dia nós
estaremos novamente juntos. Até lá, sei que posso contar com
você do meu lado, me protegendo como um anjo, me confortando e me
auxiliando a tocar adiante minha vida. Por enquanto não me sinto sozinha pois tenho sua lembrança, mas se algum dia quiser
ter outro companheiro, sei que isso não seria ofensivo à sua
memória. Você é meu primeiro amor, seu lugar no meu
coração é eterno e mesmo uma outra pessoa não o
apagará jamais.
Você me deu amor, respeito e
companheirismo. Por pouco tempo, eu tive sua companhia, as lembranças
perdurarão até mesmo depois da minha morte. Amo você como
se estivesse vendo-o no herbanário pela primeira vez. Recordo-me de sua
expressão severa, de seus cabelos compridos, de seu raro sorriso e de
seus olhos, que pareciam me penetrar até o fundo da alma. Esta alma que
é sua gêmea e que anseia pelo reencontro.
Até o momento em que
estarei novamente em seus braços, receba um beijo cheio de saudade da
eternamente sua,
Helena Snape