Nome da fic: Severus Snape e O príncipe mestiço – 1ª parte
Autor: Nielle
Pares: não tem
Censura: Livre
Gênero: Comédia besta
Spoilers: livro 6
Desafio: Essa fic foi inspirada no titulo do livro 6 dito por JK.Rowling
Resumo: Lucius consegue fugir de Azkaban e consegue uma informação quentinha vinda do mundo dos trouxas. Será que Severus conseguirá provar sua lealdade ao lorde das trevas?
Agradecimentos: Karla Malfoy que betou, Magalud que me ajudou com os feitiços finais!
Disclaimer: Esses personagens são de JKR, eu não quero nem vou ganhar dinheiro com eles.
Esta fic faz parte do SnapeFest 2004, uma iniciativa do grupo SnapeFest, e está arquivada no site http://oxetrem.com/fest
Mansão dos Riddle, segunda-feira.
Voldemort estava sentado em sua poltrona, pensando no que iria fazer quando
Lucius aparatou na sua frente, dizendo:
- Com sua licença, milorde, mas trago noticias alarmantes.
- Algo que ameace o meu poder, Lucius?
- Em tese, sim! Mas dá para evitar a pratica.
- Sente-se! – disse com uma voz sepulcral. – Pode me dizer onde esteve? Há dias
fiquei sabendo da sua fuga. Cheguei a pensar que estava fugindo... de mim!
- Nunca, milorde. Assim que fugi de lá, fui para o mundo dos trouxas. – Ele fez
uma cara de raiva ao se lembrar dos últimos dias – Nos dias que fiquei lá, até
momentos atrás, ouvi vários trouxas comentarem de uma porta que foi aberta.
- Uma porta? O que isso tem a ver conosco, Lucius?
- No inicio, não dei atenção. Mas depois, durante dois dias, tudo girava em
torno da tal porta, que voltou a se fechar. Dentro havia a seguinte inscrição. –
e retirando um papel do bolso, leu:
“Uma guerra, uma doença incurável, um príncipe. O mundo mágico nunca poderia imaginar que o sangue de um simples bruxo mestiço seria necessário para purificar o sangue do único que pode salvar ambos os mundos”.
- Que porta é essa?
- Passei a noite acordado tentando decifrar isso. Ao que tudo indica existe um
príncipe mestiço que dará seu sangue a Harry Potter, talvez para modificar
aquele feitiço do sangue.
- Como assim, o único que pode salvar os dois mundos?
- Há quem acredite que Potter seja o único bruxo que possa derrotá-lo, milorde.
- Diga, Lucius, você conhece algum príncipe?
Ele balançou a cabeça.
- Ele só pode estar em Hogwarts. Talvez o príncipe não saiba que é
príncipe...ainda.
- Mestiço... uma coisa me intriga, como um mestiço pode purificar o sangue de
outro? Só se eles trocarem de sangue... um morre, um gesto nobre, de um
príncipe... – disse Malfoy.
- Talvez esteja em Hogwarts.
- Mas não temos como saber... estão todos de férias.
Mas então uma luz iluminou os dois e eles disseram ao mesmo tempo:
- Ou temos?
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Algumas horas mais tarde, Severus estava na casa dos Riddle, ouvindo o relato de
Lucius. Quando ele terminou, o Lord das Trevas se pronunciou:
- Então, Severus, o que acha?
- Quer mesmo saber, não temos provas suficientes que exista esse príncipe. E
isso foi uma interpretação dele, apenas. Quem me garante que isso não é mais um
conto de fadas?
- Bom, as evidencias caminham nessa direção.
- Elas caminham nesta direção porque você cismou com ela.
- Bom, Snape, é melhor prevenir – disse Voldemort
- Tudo bem, mas vocês conhecem algum príncipe?
- Aí é que você entra! – disse Lucius. – Milorde acredita que ele esteja em
Hogwarts. É só procurar.
Snape começou a rir, uma risada grossa e cínica.
- Você não está falando serio, está? Mil alunos estudam em Hogwarts e mais da metade são mestiços, você não espera que eu investigue cada um deles, não é?
Lucius engoliu em seco
- Er... pensando assim, se tornaria impossível. Mas você é inteligente, dará um
jeito.
- Gostaria de te lembrar que não sou um desocupado como você. Eu sou um
professor.
- Será que os dois poderiam entrar num consenso?
- Sim, milorde. – disseram ambos
- O que você espera que eu faça? Que pergunte diretamente a Dumbledore?
***
Hogwarts, aquela segunda-feira em Agosto.
Dumbledore estava em sua sala resolvendo coisas da escola quando Snape surgiu em sua lareira pela rede do Flu.
- Oh! Severus, o que faz aqui, eu ia até a mansão ainda hoje. Aconteceu alguma
coisa?
- Não, não, é só uma pergunta.
- Então, diga!
- Hum-hum, er... pode parecer sem nexo por enquanto mas, diretor, existe alguém
com descendência real estudando em Hogwarts?
- Hum... Deixe-me pensar.Ah! Tem o Draco Malfoy. A mãe dele é uma princesa.
- Como é? A Narcisa??
- Bem, a mãe dela é descendente direta de Cleópatra. Acho que o Draco nem sabe disso.
- Não acredito... que confusão inesperada. Tem certeza que não há outro?
- Certeza. Por que? Algum problema?
- Sim, imenso. – depois se tocou. – Ah! Não! Não! Diretor, esqueça o que lhe
falei. Esqueça tudo. Eu nem estive aqui.
- Isso não está nos planos de Voldemort, está?
- Não, não, nada a ver. Coisas de Katherina. Quem entende as mulheres...
- Oh! Foi ela que lhe pediu para vir aqui?
- Na verdade, ela não sabe, não. Foi uma aposta.
- Não acredito, vocês cresceram e continuam com isso?
- É ela! Com licença, preciso ir.
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De volta à Mansão dos Riddle
- Descobriu alguma coisa? – perguntou Voldemort
- Sim, milorde. Inacreditável.
- Você perguntou ao velhote? Ele desconfiou de algo?
- Ele perde alguma coisa? Disse que era uma aposta que eu e a Kat tínhamos feito. Passei como imaturo. Existe um príncipe em Hogwarts.
- Quem é ele??
- Chama-se Draco Malfoy
Um minuto de silencio. Então Snape continuou:
- E como eu sei que a Narcisa não é sangue-ruim, eu pergunto a você, Lucius.
Você é trouxa, e não nos avisou?
- Como se atreve, seu...
- Então, meu caro, sinto-lhe informar, mas você é corno.
- Como é??
- Explique melhor, Severus.
- Dumbledore me disse que Narcisa Black é uma princesa. Perguntei porque se você
fosse mestiço, a gente só precisava matar o Draco. Mas como você não é, isso só
pode significar uma coisa. Que a sua “Cici” te traiu com um trouxa!!! – e
sorriu sarcasticamente.
Mais um minuto de silencio.
- Vou chamá-la – disse Snape
Minutos depois ele volta ao recinto com Narcisa em seu encalço. Ela fez uma
reverencia ao Lorde.
- Eu sei de tudo!!! – atacou Lucius
- Tudo o que?
- Não se faça de desentendida. Você me traiu.
- Não sei do que está falando. – ela estava imparcial.
- Lucius, cale-se! Narcisa sente-se! – disse Severus, e contou a ela toda a
historia. – Você sabia disso?
- Que sou uma princesa? Sabia! Minha mãe fez questão de me contar mais de mil
vezes.
- E quanto a ter um filho mestiço. – perguntou Voldemort
- Eu o joguei fora.
- Como é? – disse Severus horrorizado
Ela virou-se para o marido e disse:
- Lembra-se daquela vez que eu viajei para o Egito, a uns 13 anos?
- Sim! E ficou um ano lá!
- Haja!! – gritou Severus – Você é muito burro, como você a deixa sozinha? Tava
pedindo para ser traído.
- É verdade! Eu fiquei lá por que você não foi atrás de mim.
- E você não pode falar nada, Severus. Não é você que passa todo o tempo em
Hogwarts e deixa sua esposa o tempo todo só?
- Você que pensa! Eu lá sou idiota feito você? Eu tenho uma lareira em meu
quarto ligando Hogwarts à minha casa.
- Isso é verdade?? – perguntou Voldemort interessado. – Por que nunca me contou
isso?
- Porque não vale a pena.
- Como não! Eu aqui louco atrás de um jeito para entrar em Hogwarts, e você tem um e nunca me disse??
- Não dá, milorde – disse Malfoy. – Eu já tentei. É impossível. É como tentar aparatar para dentro da casa dele. Quem tenta é arremessado para fora numa velocidade incrível. E ainda tem uma voz estridente que fica gritando no ouvido por horas.
- Isso é verdade? Por que?
- É um feitiço que foi colocado na construção da casa. Só quem pode aparatar e
desaparatar lá dentro são Snape genuínos. Ela consegue distinguir o sangue dos
intrusos e os joga fora. Não adianta, se quiser entrar, terá que ser pela porta
e terá que ser convidado. Só existe uma lareira na casa e ela só vai até
lareiras de parentes, como estou em Hogwarts, existe uma ligação para lá. Mas
quando Dumbledore descobriu isso, que foi logo no inicio, restringiu quem
entraria ou sairia por ali. Eu disse que não valia a pena.
Enquanto eles falavam, Narcisa parecia querer desaparecer. Lucius se lembrou
dela.
- Diga o que fez com a criança!!
- Ah, já disse. Assim que nasceu eu o deixei num terreno baldio e fui embora.
- Por que você não o matou?! – disse Voldemort já sem paciência.
- Eu não tive coragem. Era meu filho no fim das contas.
- Mas ele sobreviveu sua infeliz!! Crucius!!!
Narcisa caiu no chão contorcendo-se.
- E me agradeça, você merecia um Avada.
- Per-doe-me, mi-lor-de. Prometo cassá-lo.
- Você vai querendo ou não. Finite!
- Obrigada, mestre. Severus irá comigo.
- Eu??
- Claro! Você é professor, é nosso espião. Tem algum garoto egípcio em Hogwarts?
- E eu sei?
- Uma coisa eu lembro, ele não se parecia nada comigo.
- Não entre em detalhes – gritou Lucius.
- Cala a boca, Lucius – gritaram todos.
- Tente se lembrar.
- Deixe-me ver. Estrangeiros em Hogwarts. Tem a srta. Chang, a srta. DeBois, o
Sr. Wonks, Lembrei de um...nome? nome?
- Qual casa?
- Lufa-lufa!
Snape fechou os olhos e por alguns momentos esqueceu-se daquele ambiente abafado
em que se encontrava. Percorreu cada rosto de Lufa-lufas do 3º ano.
- Roger Topovisky...
- Isso é russo.
- Anatan Laitkh, senta no fundo da sala com Roger Topovisky. É o garoto mudo.
- Você é até eficiente... e onde esse garoto passa as férias?
- Aí você está pedindo muito.
- Não dá para descobrir o endereço dessa criatura não?
- Dá!
- É Severus, está servindo para alguma coisa.
- Vou fingir que não ouvi esse ultimo comentário. – e desaparatou.
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3 horas depois, Snape aparatou na mesma sala. Os três o olhavam atentamente.
- Então? Encontrou alguma coisa?
- Sim, milorde! – e arremessou um pacote para Narcisa. – Mora no Cairo com uma
família trouxa.
- Acabem com ele o mais rápido que der.
- Uma roupa! – disse Narcisa – De gosto muito duvidoso. Se acha que vou vestir
isso, está muito...
- Vá se trocar, não temos tempo a perder. Eu não acredito que Dumbledore tenha
engolido a minha historia sobre a aposta. É bom que ele nunca fique sabendo que
esse menino tem alguma ligação com Narcisa. Você vai ter que distraí-lo. Vai
dizer que é a mãe dele, ou algo assim!
- Como é?
- Você vai distraí-lo, eu não posso deixar que ele me veja. Se isso acontecer,
estaremos perdidos.
---
Cairo, Egito, ainda aquela maldita segunda-feira de Agosto que não acaba nunca.
Eles surgiram em um beco escuro, Narcisa estava com roupas de meretriz e Snape com sua usual capa preta, com um pano branco na cabeça.
- E agora, Snape?
- Não me chame assim...vão nos descobrir fácil, fácil...
- E como te chamarei?
- Sei lá! Arkanius...
- Arkanius?
- É o nome do meu pai. Tudo de ruim na minha vida aconteceu por causa dele, se
der errado, pelo menos quem vai preso é ele.
- Como acharemos esse menino?
Ao saírem do beco, deram com uma rua super movimentada. Carros buzinavam sem
parar, um inferno.
- Professor Snape??
Snape quase teve um troço ao vislumbrar o aluno que procuravam bem a sua frente. Só que ele havia sido descoberto. Assim? Tão rapidamente? Que espécie de espião era?
- Você não disse que ele era mudo?
- Cala a boca, Narcisa! – disse entre dentes.
- Oh! Estiveram falando de mim? Então é mesmo o senhor, professor. Tive uma
ponta de duvida.
- Mas você é mudo.
- Era! Passei o ultimo mês em Saint Mungus me recuperando dessa cirurgia
maravilhosa. Venha professor, vou apresentá-lo aos meus pais.
- Não! Estou em missão secreta.
- Oh! Serio?
- Sim! E tenho uma coisa muito importante a te dizer. Essa mulher aqui ao seu
lado é sua mãe verdadeira que te abandonou. Ela quer falar com você.
- Como você é sutil, Snape. `__´
- Eu não sou adotado.
- Ah! É sim! Venha conosco.
E eles entraram no beco. Snape saca a varinha e diz:
- Ciconia argentum minimum fiat!
E antes que o garoto pudesse piscar, ele virou uma cegoinha de prata. Ele pegou a pequena escultura na mão e pôs no bolso rapidamente. Depois aparataram dali para a casa de Riddle.
Voldemort tomou um susto com a rapidez. Severus jogou a miniatura para ele.
- Aí está seu príncipe. Não dava para matá-lo no meio daquele mundo de trouxas.
- Está vivo então?
- Está!
- Desfaça!
- Ciconia evanesca!
O garoto surgiu no meio da sala em frente ao Lorde das Trevas. Mas não teve tempo de realizar onde estava. A ultima coisa que viu foi uma luz verde vindo em sua direção.
- E para sumir com o corpo – disse Severus - Vipera argenta minimum Fiat!
E uma cobra de prata em miniatura caiu nas mãos de Lord Voldemort.
- Hm... muito sutil, Severus. Mas tenho uma idéia, melhor. Vipera evanesca!
O corpo do príncipe mestiço tornou a aparecer.
- Vamos fazer uma festa em comemoração à futura morte certa de Harry Potter.
Nagini!!! Venha cá, minha menina!! Um trouxa colhido na hora para você!! – sua
voz sibilou e só ele e a cobra entenderam.
Aquela noite teve uma festa para os Comensais. A maioria nem sabia por que estavam comemorando, mas estavam felizes. Do outro lado da Inglaterra, uma cicatriz em forma de raio queimava violentamente.
Fim da 1ª parte.
Nome da fic: Severus Snape e O príncipe mestiço – 2ª parte
Autor: Magalud
- Válter! Válter!
- O que é, Petúnia!
- O garoto está passando mal! Acho que ele vai empacotar!
- Nosso Dudinha?!
- Claro que não! O outro... Você sabe, o esquisito!
Harry estava no chão da cozinha, segurando sua cicatriz, que doía como nunca tinha doído antes. Os Dursley estavam em volta dele, dando as sugestões mais estapafúrdias:
- O que ele tem?
- Sei lá! Será que a gente o leva para um pronto-socorro?
- Eu vou perder meu jogo de golfe na TV! Além disso, e se os médicos descobrirem que ele é anormal?
- Acho que não vão descobrir. O máximo que pode acontecer é a gente ter que dar uma desculpa.
- Eu não quero sair de casa e perder meu programa.
- Ei, garoto, você não sabe nenhuma... você sabe... nenhuma esquisitice dessas que você faz... para ficar bom?
- É, mas o que foi que você andou fazendo para passar mal desse jeito?
Harry estava sentado no chão, ainda esfregando a cicatriz dolorida:
- Não é culpa minha! É o Voldemort! Ele fez alguma coisa!...
- Ei! Volde-coisa não é nome do cara que matou seus pais?
- É. Minha cicatriz dói quando ele faz alguma, fica feliz ou com muito ódio.
- Agora você está bem?
- Não, acho que preciso me deitar.
- Nada disso! Vai lavar a louça!
- Mas eu nem jantei!
- Nem vai jantar! Se ficar doente, pode vomitar tudo para fora e fazer uma sujeirada danada! Sem jantar!
E Harry só foi se deitar (faminto) muito mais tarde, e mesmo que ainda estivesse se sentindo mal, resolveu escrever para Dumbledore. Quando se olhou no espelho, viu que sua barba estava crescida. Crescida demais.
Harry se deitou e sentiu-se cada vez pior.
Longe da Rua dos Alfeneiros, Severo Snape usava a festa dos Comensais da Morte como campo de pesquisa para descobrir mais sobre o tal príncipe mestiço. Ele precisava do maior número de informações para levar para a Ordem da Fênix.
- Lúcio?! Preciso falar com você.
- Sim, Severo?
- Essa profecia que você viu no mundo trouxa muito me interessa. O que pode me dizer sobre ela?
- O que importa isso agora? O príncipe mestiço está morto.
- Mas Narcisa está viva. Ela pode produzir outro príncipe desses, se você não tomar providências.
- O quê? Corno de novo? Isso nunca!
- Precisamos saber mais sobre essa profecia que estava atrás daquela porta misteriosa. Por exemplo, que doença incurável é essa?
Quem respondeu foi Voldemort:
- Ao que tudo indica, a doença já começou a atuar sobre o moleque arrogante Harry Potter.
Lúcio indagou:
- Como sabe, Milorde?
- Eu e o moleque compartilhamos uma conexão que está cada vez mais instável. Ao matar o príncipe mestiço, eu desencadeei o processo da doença, que começa a afetar o garoto. Uma coisa eu lhe digo: Harry Potter está enfraquecendo enquanto Lord Voldemort está ficando cada vez mais forte! Uahuahuah!
Muitos Comensais aplaudiram as palavras emocionadas de seu Lord, mas o cérebro de Snape trabalhava a mil. Ele se lembrou das palavras da profecia:
"Uma guerra, uma doença incurável, um príncipe. O mundo mágico nunca poderia imaginar que o sangue de um simples bruxo mestiço seria necessário para purificar o sangue do único que pode salvar ambos os mundos”.
A única coisa que poderia salvar Harry era o príncipe, agora morto. Será que Voldemort teria vencido definitivamente a batalha entre a Luz e as Trevas?
- Droga! – pensou Snape. Ele teria que mudar de lado de novo. Ele não ficaria do lado perdedor de jeito nenhum.
Mas talvez ainda houvesse alguma esperança. Severo Snape deixou a festa dos Comensais e foi para Hogwarts. Lá ele veio, a saber, que Dumbledore tinha saído com urgência. Foi Madame Pomfrey quem lhe disse, entre lágrimas:
- Ele foi para St. Mungo's!... Oh, Severo, é o menino Potter... Eu não pude fazer nada!... - E caiu em prantos.
Voldemort estava certo. A doença já começara a afetar Harry Potter. Era uma corrida contra o tempo salvá-lo. Uma que Severo não sabia se poderia ganhar. Não havia tempo a perder.
Via flu, Snape se transportou para St; Mungo's. Depois de se informar no balcão de entrada, ele soube que Harry estava internado no 4° andar do hospital: Danos Causados por Feitiço, que incluía Maldições Irreversíveis.
Quando ele entrou no quarto indicado, viu Dumbledore e uma enfermeira na cabeceira da cama onde jazia um homem de seus 30 anos. Mas não havia sinal de Harry Potter.
- Ah, Severo – disse o diretor de Hogwarts – Eu ia mesmo procurar por você.
- Eu estava procurando por Harry Potter, Professor Dumbledore.
- Aqui está ele! – disse Dumbledore pesadamente, apontando para a cama.
Era verdade. Snape olhou com atenção para o homem na cama, e localizou a cicatriz (que estava avermelhada) e os olhos verdes, que mal conseguiam permanecer aberto. Ele parecia bem fraco. Mas era um Harry Potter com 30 anos.
- Você sabe alguma coisa sobre isso, Severo?
- Talvez... – ele disse, olhando a enfermeira – O que os curandeiros disseram?
- Está na cara que é uma espécie de Feitiço Envelhecedor. Normalmente usa-se uma poção para fazer uma pessoa envelhecer, como você sabe, mas esse feitiço parece ser bem potente. Não há contra-feitiço e ele faz a pessoa envelhecer até morrer de velhice.
- É o que vai acontecer a Potter?
- A menos que encontremos o antídoto.
A enfermeira disse:
- Eu volto mais tarde para controlar a barba e o cabelo.
Foi só depois que ela saiu que Snape contou tudo o que sabia a Dumbledore, a profecia e tudo mais. Fraco, Harry perdeu a consciência. Ele parecia muito mais velho dos que 30 anos.
- Severo, precisamos de ajuda.
- Vou precisar saber mais sobre essa profecia. Tem que haver uma saída!
- Não preciso lhe dizer Severo, que quanto mais fraco Harry ficar, mais Voldemort se fortalece.
- Vou voltar e fazer mais pesquisas. Voltarei assim que puder.
Mandão Riddle.
- Ah, Severo, você chegou em boa hora. Estamos dividindo as Ilhas Britânicas. O que você vai querer? Rápido, que está tudo sendo distribuído!
Snape viu o grande mapa disposto sobre a mesa da sala de jantar, e alfinetes com os nomes de Comensais indicando as escolhas já feitas.
- Mas já estão dividindo? Acha que a vitória é garantida?
- Eu sinto que Harry Potter está cada vez mais fraco. – disse Voldemort. – É só uma questão de tempo até eu sair vitorioso, e tudo graças a você. Pode pedir o que quiser!
- Nottingham.
- Nottingham? Por quê?
- Eu sempre quis ser o xerife de Nottingham. Acho que combina comigo.
- Perfeito e poético Severo, meu servo. É por essas coisas que eu gosto de você.
- Obrigado Milord. Então a vitória é certa?
- Certíssima. Harry Potter só poderia ser curado pelo sangue de um príncipe mestiço, mas como graças a você o tal príncipe virou suco...
- Entendo. Mas alguém da família não pode nos atrapalhar os planos? Draco Malfoy, talvez? – Lúcio, que colocou um pino com seu nome sobre Cambridge garantiu:
- Não há perigo quanto a isso, Milord. Pode ficar descansado. Para não haver risco, eu já coloquei um cinto de castidade em Narcisa. Ela não gostou muito, mas agora temos certeza que daquele mato não sai coelho.
- Ótimo! – disse Voldemort. – Imagina se alguém resolve produzir outro príncipe morganático!
- Morga o quê? – indagou Goyle.
- Morganático. Quer dizer de origem misturada, plebéia e real, sua anta! A única coisa que pode salvar Harry Potter.
Snape sentiu uma pontada de urgência e quis saber:
- Vocês vão ficar aqui por algum tempo?
- Isso não vai terminar tão cedo. – disse Voldemort. – Macnair quer a Escócia inteira, mas Rokwood não abre mão do litoral de Aberdeen. Acho que vamos ter algumas Imperdoáveis daqui a pouco.
- Então volto mais tarde.
- Faça isso, Severo, meu servo. Avery está tentando arranjar uns trouxas frescos para uma sessãozinha de tortura!
Snape deixou a Mansão Riddle, cada vez mais angustiado. Harry Potter estava morrendo, e não havia nada que ele pudesse fazer.
Ele voltou ao hospital, e ficou surpreso ao ver na cama um homem de quase 60 anos. Tão surpreendente quanto isso era o fato de a enfermeira estar tirando sangue dele, mesmo naquele estado. Dumbledore chamou sua atenção:
- Algum progresso, Severo?
- Não trago boas notícias. A única coisa que poderia salvar Potter era o sangue de alguém que Voldemort matou.
- Os curandeiros determinaram que a menos que o feitiço seja suspenso, Harry não vai resistir muito tempo. Eles vão tentar uma cirurgia de emergência. Por isso a enfermeira está tirando o sangue dele, para repor mais tarde sem precisar chamar outros doadores.
Snape franziu o cenho:
- Hum... Eu não tinha pensando... – ele se virou para a enfermeira. – Vocês fazem isso sempre? Digo, tirar sangue.
Ela aquiesceu:
- É procedimento padrão para qualquer cirurgia.
- E uma vez tirado o sangue, quanto tempo vocês guardam?
- O sangue fica estocado alguns meses, para ter certeza de que não haverá uma recaída.
Snape deu um raro sorriso, sentindo a esperança voltando ao seu coração, e voltou-se para Dumbledore:
- É isso! Essa é a resposta! Se essa moça for ao estoque e usar em Harry Potter o sangue pertencente a um rapaz chamado Anatan Laitkh, tenho certeza de que Potter vai se recuperar.
- Quem é Anatan Laitkh?
- O príncipe mestiço. Vamos, não perca tempo!
A enfermeira saiu, apressada, e Dumbledore quis saber:
- Como você sabe que o hospital tem o sangue desse príncipe?
- Ele disse antes de morrer que tinha feito uma cirurgia para voltar a falar há pouco tempo. Se o que a enfermeira diz é verdade, eles ainda têm o sangue dele no estoque.
- A profecia fala apenas no sangue do príncipe mestiço. Mesmo que Voldemort tenha assassinado o menino, o sangue dele pode salvar Harry.
A enfermeira voltou, dessa vez acompanhada de um curandeiro. O sangue de Anatan Laitkh foi aplicado em Harry, mas nada aconteceu de imediato.
- Tem certeza de que era o sangue certo?
- Claro!
- Então como não está funcionando? A profecia diz que sangue do príncipe mestiço vai purificar o sangue dele!
- Olhem! O que está acontecendo com ele?
- O que é aquilo?
O médico se aproximou do velho de quase 70 anos na cama e disse:
- Ele está... suando! E é um suor negro! Nunca vi nada parecido!
Era verdade. Uma secreção gosmenta e preta estava saindo dos poros de Harry e começava a cobrir todo o seu corpo enrugado de 70 anos. Quando o suor entrava em contato com o ar, ele endurecia como se fosse calcário. Em poucos minutos, o Velhinho-Que-Estava-Morrendo estava dentro de um casulo preto.
A enfermeira indagou:
- Ele não vai sufocar aí dentro?
O curandeiro garantiu:
- Não, isso é um processo comum de regeneração.
Snape disse:
- Preciso verificar isso com certeza. Mas não aqui.
Mansão Riddle –
Havia um grande alarido quando Snape chegou à mansão. Ele ouvia vozes altas, gemidos, surpresa e raiva.
- O que está acontecendo?
Lúcio, muito pálido, chegou até ele e disse:
- Nosso Lord... Ele está... está... Eu não entendo!
Snape viu Voldemort no chão, estrebuchando como se estivesse recebendo a Maldição Cruciatus. Além disso, ele estava envelhecendo rapidamente, o que o deixava ainda mais medonho e horripilante, com os olhos vermelhos injetados de sangue e o nariz repitiliano. Como que pressentindo a morte de seu amo, Nagini estava enrodilhada a seu lado, soltando silvos descontrolados.
Em minutos, Voldemort parou de se mexer, aniquilado. Em segundos, seu corpo se consumiu em um esqueleto e em seguida virou um monte de pó.
- Está acabado – disse Snape.
- Mas como? – quis saber Lúcio.
- Harry Potter sobreviveu! – disse Snape. – Se eu fosse você, não ficaria por aqui muito tempo. Se Harry Potter está vivo, é porque um príncipe sobreviveu. E você sabe o que isso quer dizer.
Lúcio ficou ainda mais pálido de ódio.
- Narcisa! Vem aqui se explicar, mulher!
Ele desaparatou, a exemplo dos demais Comensais, que ao verem o chefe morto, não ficaram ali por muito tempo.
Era o fim do reinado de Voldemort.
Snape voltou para St. Mungo's, e não se espantou ao ver duas enfermeiras com pequenas picaretas na mão, quebrando o casulo onde estava Harry Potter. Achando a atividade muito divertida, Dumbledore também estava com uma pequena picareta na mão.
- Ah, Severo. E então?
- Voldemort está morto, como eu previa.
- Que grande notícia! Precisamos divulgar isso o quanto antes! Você vai ser um herói, Severo! Salvou o mundo bruxo e Harry Potter. E isso, cá entre nós, não é pouca coisa.
- Por favor, Dumbledore, se puder me poupar dessas comemorações, eu agradeceria muito.
- Mas Severo esse é seu momento de brilhar. Você vai ser tão famoso como Harry.
- Não sou vaidoso a esse ponto. Dispenso as demonstrações de gratidão. Vou gostar de não precisar mais espionar para o lado do bem, mas não tenho muita intenção de mudar minha vida. Se eu puder continuar com meu trabalho em Hogwarts, agradeceria.
- Como queira, Severo. Mas dê pelo menos uma entrevista para o Profeta Diário, só para você não parecer anti-social.
- Mas eu sou anti-social!
- Por favor. Harry vai gostar de dividir as atenções.
- Ah, é? Será que Santo Harry Potter vai conseguir dividir os refletores?
- Ih, se eu soubesse que você ia ter um ataque, não tinha falado nisso. Mas veja só, Harry está quase livre de seu casulo!
O Menino-Que-Sobreviveu-De-Novo abriu os olhos e exclamou:
- Professor Snape! O que o senhor está fazendo aqui?
- Harry, foi o professor Snape quem salvou sua vida.
- De novo, aliás. Parece que eu passo metade do meu tempo livrando você de encrencas.
- Mas você vai gostar de saber que Voldemort está morto e não vai voltar.
- Ah, sério? – Harry parecia decepcionado. – Eu queria enfrentá-lo e soltar um Avada na cara dele! Bom, pelo menos agora acho que vou poder ter minha cabeça só para mim. Sem contar que minha cicatriz pode finalmente cicatrizar de uma vez por todas!
- É só nisso que você pensa? – disse Snape. – Na sua preciosa cicatriz? Você é mesmo muito arrogante, moleque! Dumbledore, eu vou me embora. Fiz por esse garoto mais do que devia. Você sabe onde me encontrar.
- Está bem, Severo. Faça como achar melhor.
Com um movimento de capa, Severo Snape deixou o quarto de hospital, disposto a se afundar na sua masmorra confortável e deixar-se levar por um copo de Brandy em frente à lareira. Ele estava cansado, irritado, e sentia-se responsável pela derrocada do Lord das Trevas.
Mas uma coisa ele não abrira mão.
Ele estava do lado que ganhou a guerra, como todo bom sonserino.
- Engole essa, Malfoy, seu corno! – pensou ele, com um sorriso sarcástico.
FIM