Título: Um sonho ou uma premonição.

Em resposta ao Snapefest.

28.
Snape, ao acordar, se depara em outro lugar, com uma família trouxa (mulher e filhos) Como Snape passará a encarar essa nova realidade e como fará para voltar ao mundo bruxo?

Classificação: NC 9

Agradeço a Jana que betou.

Snape depois de ser descoberto pelo Lord acorda em meio a uma vida de homem casado com uma trouxa.





Mais uma reunião com os comensais aconteceu, todos haviam sido convocados e Severo não era exceção.

Ao sentir a marca latejar em seu braço, avisou a Dumbledore, via flu, que teria reunião. Assim que saiu das terras da escola, desaparatou.

Logo quando chegou ao quartel dos comensais, viu o Lord das trevas sentado em uma poltrona com todos os seus seguidores ajoelhados em frente a ele. Snape fez o mesmo.

O Lord levantou e olhou para o grupo.

‘Creio que todos estamos aqui. Posso começar. – Ele pegou sua varinha e começou a gira-la em sua mão, enquanto olhava o grupo. – Eu comecei a pensar hoje sobre nossas falhas e derrotas. Isso é culpa de um traidor e só pode ser algum de vocês que anda abrindo demais a boca.’

Todos se mantiveram em silencio. Severo estava tenso e agora o que aconteceria se o Lord suspeitasse dele ?

‘Então eu decidi fazer o seguinte, todos vocês vão ter que provar sua lealdade a mim. Aqui está um cálice e eu tenho muito vinho a disposição. Tudo que vocês precisaram fazer é beber um gole.’

Alguns riram; Severo pensou: "tem algum veneno nesse vinho, alguma poção..." Repassou todas as poções que conhecia para ver se alguma delas fazia com que só o traidor fosse afetado. Lembrou de duas e ficou, pela primeira vez, com medo. Uma tirava a sanidade da pessoa, a outra tirava os movimentos de todos os membros do corpo e não permitia que o afetado conseguisse dormir. O que o Lord preferiria, um tetraplégico e 24 horas consciente para toda a vida ou demente?

O Lord viu muitos rirem e um, no fundo da sala olhava para o chão, sério. Descobriu sem nem precisar que todos bebessem do vinho barato que havia comprado. O traidor estava ali, olhando o chão.

‘Algum voluntário? Snape, você que é um dos veteranos, não quer sair ai do fundo e vir aqui beber um pouco?’- O Lord ergueu a taça em sua direção e ele levantou, passando por todos os comensais. Pegou o cálice, olhou para o "mestre", depois para o vinho e bebeu um gole. Não sentiu nada.

Voltou para o seu lugar e viu cada um de seus companheiros fazer a mesma coisa até beber o ultimo gole.

O Lord mandou todos voltarem às suas casas.

Severo retornou a Hogwarts e foi logo contar o ocorrido ao diretor. Pediu licença e foi para o seu quarto. Preparou rapidamente um antídoto para as duas poções que pensou ter sido misturada ao vinho e bebeu ambas, antes de ser vencido pelo sono e dormir.

Ao acordar, viu algo diferente: não estava em Hogwarts. Olhou para o lado estava deitado numa cama, num quarto muito elegante de cores claras e com uma vista para um lugar desconhecido. Sentiu algo se mexer por cima dele, viu algo que não esperava: uma mulher muito bonita, de cabelos louros compridos, até metade das costas. Percebeu como ela era realmente linda. Levantou e viu que suas roupas estavam no armário. Foi ao banheiro e encontrou coisas suas ali também, então sentiu algo estranho lhe abraçando e passando a mão pelo seu peito.

‘Amor, você já acordou.’- ele pensou, ao ouvir a voz, que assim que se virasse, ela gritaria e perguntaria quem ele era. Virou-se e foi surpreendido por um beijo dela enquanto era envolvido em um abraço caloroso. ‘ O que foi, Severo, algum problema?’

‘Nenhum’- mentiu ele. - ‘Você sabe quem eu sou?’

‘Claro, é o meu marido Severo Snape.’- ele olhou para ela, surpreso. "marido" pensou, achando estranho

Se soltou dela voltou para o quarto. Viu no criado-mudo fotos bruxas e trouxas misturadas dos dois. Era a história de uma vida: tinha fotos do casamento, com Alvo, a mulher grávida, ele com ela e um bebe, uma foto de um garoto com o uniforme da sonserina, ele e o garoto com a taça de quadribol, uma menina pequena com o eles.

Olhou a mulher que o olhava com os olhos rasos.

‘Você se arrependeu não foi?’ – ela começava a chorar.

‘Do que?’

‘De casar com uma trouxa, de largar tudo para vir comigo a Nova Iorque, de deixar a vida de bruxo de família sangue puro para ter filhos mestiços, é isso?’- Ele sentiu a tristeza nos olhos dela. Não entendeu o que ocorrera. Numa noite era professor de Hogwarts, quando acordou estava casado com uma trouxa, morando em Nova Iorque. Tinha um filho que era campeão de quadribol e essa mulher o indagava quanto a ter se arrependido de suas decisões.

Não sabia o que estava acontecendo, mas sentiu carinho pela trouxa e, o modo carinhoso como ela o surpreendeu no banheiro o tratando com carinho. Disse o que achou que a deixaria feliz:

‘Nunca me arrependo de nada do que fiz, faço ou farei.’- Ela sorriu e saltou sobre ele, fazendo com que caíssem na cama com ela por cima de seu corpo. E beijou-o muitas vezes. Severo estava a tanto tempo sozinho, se envolvendo apenas com a ordem e Hogwarts, que deixou a mulher beija-lo e até retribuiu as caricias.

Ouviram um barulho na porta e ela levantou. Olhou para a menina que estava na parada, e disse:

‘Ingred devia bater na porta antes de entrar.’

Ele olhou a menina que tinha cabelos negros, como os dele, e olhos verdes, como os da mulher. Ela tinha algo que lembrava tanto a Severo sua mãe.

‘Pai, eu fiz.’- Disse a menina sorridente. Ele não entendeu nada, mas respondeu:

‘Deixe-nos ver então?’

Ela ergueu a varinha e disse:

‘Wingardium Leviosa’

Um porta retratos levitou e a mãe aplaudiu a filha. Severo sentiu, não sabia porque orgulho dela. A garota devia ter uns 5 anos, no máximo. Era realmente um feito.

‘Muito bom. Depois eu te ensino outros truques.’

‘Amor, Alvo pediu para você não ensinar mais feitiços e poções à Ingred, esqueceu?’

‘Bem você ouviu a mamãe - ele fez uma cara de "depois eu ensino"- Deixe-nos sozinhos um pouco.’

‘Tá bom, mas mãe eu to com fome.’

‘A mamãe já vai fazer algo para nós comermos.’- Ele disse se sentindo um besta por entrar naquele jogo.

A mulher saiu atras da menina, deixando-o sozinho. Ele correu até suas coisas e pegou sua varinha. Tentou se comunicar com Alvo através de um espelho como sempre fez, mas não teve nenhum resultado.

Pegou pó de flu e foi procurar uma lareira, achou uma na sala, jogou o pó e tentou se comunicar, mas aquela lareira não estava ligada à rede Flu.

Procurou outra lareira, mas não encontrou. Pegou, então, uma caneta trouxa e um papel. Agradecendo mentalmente pelas lições de sobrevivência no mundo trouxa que teve no passado, escreveu ao diretor o seguinte:

"Alvo,

estou perdido. Ontem eu dormi em Hogwarts depois da reunião dos comensais, onde bebemos aquele vinho envenenado que eu lhe falei e hoje tive uma surpresa: estou em outro país como um, aparentemente, pai feliz.

O que está acontecendo? Você tem que me ajudar, preciso saber o que é isso.

Severo Snape."

Ele procurou sua coruja, mas não encontrou. Entrou na cozinha e viu a esposa cozinhando algo, absorta. Que, ao notar a presença do marido, disse:

‘Procura algo?’

‘Minha coruja.’

‘Ela morreu Severo, no ano passado, não lembra?’- A mulher parecia começar a se assustar com o jeito estranho do marido.

‘Preciso mandar uma carta.’

‘Não posso fazer nada, você prometeu à Ingred que, semana que vem, no aniversário dela, lembra(?), iria comprar uma de presente.’

‘Mas eu estou sem coruja ha um ano?’

‘Não seja bobo, não se faça de esquecido! Marco levou Tornado. Isso é nome de coruja(?) típico de vocês dois!.’

Ele suspirou. Não poderia fazer nada, estava incomunicável, em um lugar que nunca havia visto, com gente estranha que o conhecia muito bem pelo visto, sem uma lareira funcionando, sem coruja. O que seria dele?

A mulher serviu o café e sentou à mesa. Ele ficou observando tudo muito distraído, até ouvir a menina lhe chamar pegando em sua mão. Olhou para a menina.

‘Vem pai, vamos comer.’- A menininha o puxava pela mão. Como negar a um convite de um serzinho tão doce?

Após o café, a mulher levantou, lavou os pratos e anunciou que estava na hora de ir trabalhar. Snape ficou com medo por um momento, mas estava curioso. Não queria mais demonstrar que não lembrava de nada.

‘Me dá uma carona?’ – ele pediu tentando demonstrar normalidade no pedido.

‘Severo, você não trabalha, lembra? Quer dizer, só trabalha quando quer, afinal a empresa é sua. Eu sou a vice-presidente, vou lá uma vez por semana. Além disso, você disse que iria ficar com Ingred toda a semana do aniversário dela.’- A mulher estava visivelmente perdendo a paciência com ele. Sentindo isso, ele tratou de enfeitar um pouco a conversa:

‘Quero dar uma volta com Ingred e você poderia nos levar até um ponto?’

‘Por que não vai de carro?’

‘Quero caminhar com ela sem ter que me preocupar com onde deixei o carro.’

‘É, do jeito que você está, melhor mesmo.’

Ele levantou, pegou a garota e foi andando em direção à porta.

Logo atrás, a "esposa" o seguia, muito intrigada.

‘O que o sr. vai fazer, papai?’

‘Trocar essas roupas, ou vai querer ir assim na rua?’

‘Severo, Ingred já faz isso sozinha há algum tempo.’

Olhou para a menina, depois para a mulher. Foi para sala, sendo seguido pela "esposa", sentou no sofá. Não entendia muitas coisas e a mais gritante delas era porque uma vice-presidente de uma empresa preparava o café da manhã da família. Mas, antes de terminar de pensar nisso, viu alguém entrar pela porta. Era uma Senhora com algumas sacolas de compras.

‘Bom dia Sr. e Sra. Snape.’

‘Bom dia.’- disseram os dois juntos.

A menina veio pronta e os três saíram. Severo e a menina foram deixados perto do centro bruxo de compras.

Ele, ao ver um correio bruxo, se dirigiu rapidamente para lá, deixando a garota para trás, afinal ela não conseguiria o acompanhar. Ele entrou no local e mandou a carta só lembrou da menina quando ela entrava no correio atrás do pai.

‘Eu deixei você para trás, desculpe.’- Ele estava se desculpando com uma menina de no máximo cinco anos, isso era ridículo.

Pegou a menina pela mão e foram dar uma voltinha. Olharam algumas roupas para ela, brinquedos, livros a menina tinha um fascínio por poções, até um pequeno caldeirão Severo comprou para a menina no final, afinal o encantamento da menina pelas coisas bruxas o deixava tentado a comprar tudo que os olhos dela focavam. Os dois estavam tomando sorvete quando ouviram algo tocar, mas Severo não deu bola. A menina pegou um celular na bolsinha que carregava e entregou o barulhento objeto dizendo, é a mamãe, atende.

‘Não sei mexer nisso.’

‘É aqui nesse botão verde para atender e no vermelho para encerrar a ligação.’

Snape esboçou um sorriso. Era ridículo uma menina recém saída das fraudas estar lhe ensinando o que fazer. Atendeu e ouviu a pergunta. ‘onde vocês estão?’ Era a mulher.

‘Almoçando, pensei que você não voltava para casa.’

‘Tá bom, vou avisar a empregada que vocês não vão para o almoço.’

Ele desligou o aparelho intrigado.

O dia passou muito devagar para Severo. Não teve nenhuma resposta de Alvo. Conhecidos desconhecidos lhe cumprimentaram. Sentia como se tivesse caído de dentro do corpo de outro homem mas, ao olhar seu reflexo no espelho, era a sua imagem que ele via.

Ficou sentado na cama onde tudo começou, como se, a qualquer momento, depois de dormir, voltaria tudo como era na sua vidinha habitual. A esposa entrou. Ele sentia uma profunda vergonha de não saber nem ao menos o nome da mulher que lhe dava beijos e fazia caricias enquanto ele divagava.

‘Você está estranho Severo, quero saber o que significa isso.- Ela mostrou a carta que ele mandou à tarde para Hogwarts.

‘É a carta mandei para Alvo.’

‘Amor, Alvo não está mais em Hogwarts. Sei que é duro aceitar um fato tão recente, mas ele não está mais conosco.’- Ela anunciava a morte do diretor, como se o homem naquela cama fosse um garotinho de no máximo 7 anos.

Os olhos arregalados dele revelaram surpresa.

‘Por que você está perdido? O que se passa com você? Nunca foi assim, desde que nos casamos ou desde que viemos para cá, você sempre declarou Nova Iorque como o seu lar. Perdido? O que isso significa?’

‘Exatamente o que você leu e, inclusive , que eu saiba não se deve ler as cartas dos outros.’- Ele tinha a velha expressão professor de poções que sabia fazer com perfeição.

‘Não se deve ler as cartas dos outros? É isso que você me diz? Eu posso não ser bruxa, mas eu não sou burra, não nasci ontem. Alguma coisa está acontecendo e eu quero saber o que é.’

A mulher estava visivelmente nervosa, Severo odiava discutir com pessoas nervosas ou alteradas de qualquer outra forma.

‘Não vou discutir nada com você antes de se acalmar.’

‘Ah agora eu tenho que me acalmar.’ – Ela respirou fundo, virou de costas para ele e contou até 10 mentalmente, virou e o encarou novamente. ‘Pode falar já estou calma.’

Ele não acreditou mas não sentia mais nenhuma alteração nela.

‘Eu não sou quem você pensa que eu sou...’

‘Mas como! Você é Severo Snape, o bruxo com quem eu me casei e tive dois filhos. O que pode Ter que eu não saiba?’

Ele mostrou a marca negra e a viu dar um salto para trás.

‘Cadê a cicatriz? Que surpresa, fazer uma tatuagem em cima da queimadura. - Ela riu. - Ficou bom, só que você poderia ter escolhido um desenho mais bonito.’

‘Do que você está falando? Cicatriz? Eu não tenho cicatrizes. Isso é a marca negra de comensal da morte. Estava ontem a noite com o Lord das trevas como um professor, solteiro, sem nenhum envolvimento afetivo com mulher alguma e hoje amanheço com uma família, você não se sentiria perdida?’

‘Sim.’

Sentando ao lado dele, ela passou a mão na marca e não sentiu o que sabia existir ali. Olhou para o homem na sua frente. Poderia ser qualquer pessoa, menos o seu Severo.

‘Quem é você?’

‘Severo Snape, o espião da Ordem da Fênix e professor de Hogwarts.’

‘E o que você fez com o meu marido?’

‘Não sei. Não sei onde ele está, não sei nem quem é. Só sei de uma coisa: não somos o mesmo homem.’

Chorou. A mulher chorou muito, fazendo Severo se sentir mal. Não que fosse do seu intimo ‘sentir-se mal pela tristeza dos outros’, mas ela demonstrava amor por ele e isso o deixava realmente triste.

‘Vou arrumar outro lugar para você dormir.’

Saindo, ela ouviu uma pergunta que a fez ficar ainda pior, certa da sinceridade das palavras daquele homem sentado em sua cama.

‘Qual é o seu nome afinal?’

‘May White Snape.’

A porta bateu. A tortura sentimental a que estava submetido só foi vencida pela curiosidade de como foi parar ali. Precisava voltar ao seu mundo e achar uma forma de reverter a poção do Lord das trevas.

Foi instalado com todo o conforto em um quarto de hospedes. A mulher pediu que ele não contasse nada a pequena Ingred, certamente a menina não entenderia nada. Concordou achando até melhor, não teria paciência de explicar nada a uma garotinha, mas não demorou muito para se ver em um beco sem saída.

‘Pai, o que o sr faz aqui?’- a menina vinha sentar na cama dele

‘Vou ficar aqui uns dias.’- dando uma de pai.

‘Mas você e a mamãe sempre dormiram juntos, por acaso vocês brigaram?’

‘Não, sua mãe e eu estamos muito bem, apenas de vez em quando cada um precisa da sua privacidade.’

Aparentemente a garota havia entendido e aceitado a explicação.

‘O sr não vai mais me ensinar magia?’- ela dizia mostrando a varinha ao pai.

‘O que você quer que eu te ensine?- ele sentou ao lado dela, recebendo-a no colo momentos depois.‘

‘O que o sr achar útil.’

‘Vou lhe ensinar um então que eu acho que você terá dificuldade, em quanto tempo você aprendeu o primeiro?’

‘2 dias.’

‘Esse você vai levar mais tempo. Aponte a varinha para cima e diga Accio e o nome do objeto que quer trazer.’- ele apontou para cima discretamente a varinha dele e disse- ‘Accio vaso.’

Um vaso que estava sobre a mesa veio voando na direção dele.

A menina tentou uma, duas, três vezes e não conseguiu sorriu.

‘Por que você ri se não conseguiu?’

‘Porque assim eu fico mais feliz quando conseguir.’

‘Boa menina.’

A Sra. Veio chamá-los para o jantar.

A mulher estava sentada a mesa quando a filha e o marido chegaram. Todos jantaram e foram para seus quartos, ele ficaria feliz se depois de dormir acordasse em Hogwarts.

Na madrugada sentiu algo em seu tornozelo, acordou rapidamente. Pegou sua varinha e iluminou na altura onde estaria o rosto do invasor, mas não viu nada. Então baixou a cabeça e viu a pequena invasora com um urso de pelúcia sendo carregado pela pata.

‘Ingred, o que foi?’

‘Tive um sonho ruim. Posso dormir com o sr?’

‘Não prefere a sua mãe?’

‘Eu preferia os dois juntos mas se tiver que escolher. Meus sonhos ruins tem medo de você. Porque quando eu durmo com você eles não vêm.’

Severo se afastou um pouco, deixando espaço para a filha deitar, ela o abraçou e logo pegou no sono.

No outro dia de manhã viu a esposa entrar no quarto, dar um beijo na filha e passar a mão delicadamente sobre o seu rosto, dando tchau.

Ele levantou mais tarde e, andando pela casa, viu a Sra. Arrumar a cama da mulher.

‘É a primeira vez que vejo vocês dois brigados, desde que trabalho aqui, há 13 anos.’

Primeiro ele achava o fim a Sra. se meter na vida dele. Segundo, não estava brigado com esposa alguma porque não era casado. Terceiro, odiava Ter que falar sobre coisas pessoais com os outros mas sentiu vontade de dizer.

‘Não estamos brigados, só precisávamos ficar um pouco sozinhos.’

‘Crise da privacidade- ela sorriu- pensei que isso nunca aconteceria com vocês. Desculpe o comentário, mas desde que eu trabalho em casas de família há 28 anos nunca vi nenhum casal tão em harmonia como o sr e May.’

Ele esboçou um sorriso e a deixou trabalhar. Sentou na sala com um caderno e um caneta. Escreveu à McGonagall, a Lupin, até a Harry Potter no momento do desespero.

‘Ingred, quer dar uma volta? Papai precisa ir ao correio bruxo.’

‘Tá, vamos comer pizza?’

‘Vamos, e chocolate.

‘Oba!’

Era tão fácil agradar uma criança. Ele sentia-se bem por deixar a menina feliz, mesmo que não tivesse a menor idéia de como tudo aconteceu, ou melhor como ela e Marco aconteceram.

A menina foi até o quarto do casal, a seguiu mesmo sabendo que ela não precisava de ajuda.

‘Dona Lala, a gente vai comer pizza.’

‘Que bom Ingred, mas não coma demais.’

‘Tá’

Ela passou indo até o quarto, Severo olhou a Dona Lala.

‘Lala?’

‘Ué Sr, como esperava que ela diminuísse Laís?’

Ele deu de ombros e quando viu a menina chegar, pegou a chave do carro e saiu.

Estacionamento, agora, qual era o carro?

A menina correu até um carro sport preto, devia ser esse. Olhou a chave e pensou:

"Bendita hora que eu ouvi Alvo e aprendi a usar essa geringonça, pelo menos ele não voa."

Estava dirigindo nem rápido e nem devagar, foi olhando o caminho em uma telinha no painel do carro. Era um mapa da cidade e tinha, em vermelho, o ponto de entrada da parte bruxa de Nova Iorque. Deixou o carro em um estacionamento apontado pela menina, mandou as cartas escritas e foi comer a tal pizza que a menina desejava.

Retornando, viu May sentada no sofá da sala o olhando séria.

‘Ingred, nos deixe a sós.’

A menina saiu e a mulher levantou olho a garotinha entrar no quarto.

‘O que vocês comeram ontem?’

‘Como?’- ele estava curioso com aquela pergunta simples.

‘Quero saber que o que você e Ingred comeram ontem no almoço?’

‘Comemos em uma lancheria bruxa que a Ingred gosta e tomamos sorvete.’

‘E hoje?’

‘Pizza, mas não estou entendendo onde pretendes chegar com isso?’

‘Ingred está em fase de crescimento, não pode ficar a base dessas porcarias. Quero ela amanhã sentada naquela mesa comendo alimentos nutritivos. Eu deixei de ser professora na creche onde trabalhava, mas não vou deixar minha filha ter a má alimentação que nunca deixei meus alunos terem.’- O tom autoritário dela o irritava profundamente.

‘Entendo, mas não vai ser uma ou duas vezes que...’

‘Ei, minha casa, minhas regras.’- ela o deixou sozinho na sala de olhos arregalados. Não estava acostumado a ser deixado falando sozinho por ninguém, muito menos por uma mulher, ainda por cima trouxa.

Procurou-a pela casa. A banheira era o refugio dela.

Bateu.

‘May, você pensa que vai me deixar falando sozinho e se enfiar nessa banheira?’

‘Severo, meu querido, você estava quieto e não tem nenhum argumento para isso. Eu não pedi sua opinião, eu disse o que quero ver acontecer, só isso.’- ela disse da banheira sem abrir a porta.

Mas o homem abriu a porta e entrou no refugio dela.

‘Você deve saber que eu não gosto que me deixem falando sozinho e muito menos de ser mandado desse jeito, não sou criança.’- ele tinha raiva no olhar.

‘Mas às vezes age como uma, por exemplo, o que faz aqui?’

‘Gosto de olhar nos olhos das pessoas com quem falo.’

Ela riu.

‘Agora que já falamos o suficiente, saia daqui, quero levantar da banheira...’

‘Você acha que nunca vi uma mulher nua?’

‘Você não é meu marido ou melhor ainda não é, mas creio que não gostaria de Ter a sua esposa nua na frente de outro homem, mesmo que seja sua versão mais jovem.’

Não havia nenhum argumento para contestá-la, então deixou-a sozinha em seu local de relaxamento.

Dirigindo-se ao "seu quarto", viu uma luz: era uma coruja Branca sentada na janela.

Pegou as cartas alcançadas pela coruja e essa ficou sentada no mesmo lugar.

"Snape,

Para você escrever a mim deve ser algo grave.

Deu sorte, muita sorte de estarmos nos EUA, tanto eu quanto Harry. Posso encontrar você estou bem perto de Nova Iorque.

Me espere amanhã na entrada do lado bruxo da cidade, às 16 horas.

Remo Lupin."

A Segunda carta não era tão animadora.

"Snape,

até me encontro perto de Nova Iorque, mas nunca sairia da escola de defesas mágicas especiais para ajudar a você.

Harry Potter."

Ele já esperava uma reação dessas vinda de Harry Potter. Mas o importante é que pelo menos Lupin aceitara lhe ajudar, então quem sabe, em pouco tempo, tudo voltaria ao normal.

Aquele dia passou tranqüilo, Severo ficou em seu quarto, Ingred estava praticando o feitiço e não o procurara mais e a mulher estava muito preocupada em discutir com alguém via telefone para pensar "em porque o homem estava sem aparecer".

Severo só saiu do quarto quando foi avisado que o jantar estava servido, May já estava jantando sozinha e nem olhou para ele em nenhum momento, Ingred não sabia o que falar- afinal a menina nunca vira os pais daquela forma- a empregada também não falava nada, apenas olhava o casal atônita.

‘May, amanhã vou sair e não sei se venho jantar.’- Severo acabou com o silencio com um profundo alivio, já que aquela situação não era agradável.

‘Posso saber onde vai?’

‘Encontrar Lupin, ele está perto daqui e decidiu vir relembrar os velhos tempos.’

‘Pensei que não gostasse dele.’

‘Não é o meu favorito mas, da minha antiga vida é o único que tenho por hora.’

‘Claro, se quiser convide-o para jantar conosco.’

Ele acentiu com a cabeça.

A menina terminou a sobremesa e pediu licença.

O casal ainda ficou mais algum tempo sentado à mesa cada um fechado em seu mundo. Por fim Severo pediu licença e foi para seu quarto.

‘Laís, o que será que ele tem?’

‘A Sra. acha que ele está diferente? Eu não sei, o Sr. Snape nunca foi muito aberto comigo.’

‘O que eu faço? A Sra. é como uma mãe para mim, sabe disso.’

‘Sinto muito orgulho de ser considerada uma mãe por você que é uma mulher incrível.’

‘Obrigada, mas não sei, Preciso dele, para ele me fazer não surtar.’

‘Fale isso a ele. Snape a ama, vai lhe entender. Não sei o que aconteceu com os dois e nem me interessa, mas ele te ama.’

Ela sorriu. A Sra. Laís nunca entenderia que o Severo de quem a mulher sentia e falava não era o que estava no quarto de hospedes.

Na manhã seguinte, ouviu a mulher entrar no quarto.

‘Bom dia, Severo.’

Ele só deu um gemido.

Sentiu quando ela começou a lhe fazer carinho a tirar os cabelos da frente dos olhos.

‘Você não trabalha hoje?’- perguntou estranhando o ato dela.

‘Hoje é sábado.’

As caricias continuaram.

‘Mas se você quer que eu saia, é só pedir.’

‘Não, estou gostando.’

Ficaram assim, até que ele a beijou. Ela retribuiu mas quando terminou o beijo, ele viu ela levantar e sair do quarto sem dizer uma palavra.

Nisso Ingred entrou no quarto.

‘Pai, olha só.’ Ela ergueu a varinha e disse. ‘Accio urso.’- o ursinho de pelúcia dela veio do outro quarto até ela.

‘Bom, você é bem rápida, quer aprender o que agora?’

‘Poções.’

‘Está falando com o cara certo.’

Levantou da cama, foi ao banheiro e seguiu a menina até o quarto onde ela já tinha tudo pronto. Ensinou-a algumas poções básicas. E depois foi à cozinha comer alguma coisa.

Faltava pouco para o relógio marcar 16 horas, faltava pouco para o momento do desejo de Severo de retornar a sua vida antiga quem sabe se realizar.

Foi para ao lugar combinado e, ao longe viu Lupin, ainda mais grisalho e aparentemente cansado do que era antigamente.

‘Lupin, nossa você devia se cuidar mais.’

‘E você não mudou nada. Vejo que não estava mentindo na sua carta.’

‘Claro que não. Venha, vamos sentar em algum lugar por aqui.’

Os dois acabaram em um bar isolado onde conversaram sobre o que estava acontecendo, Lupin, ficou intrigado, mas infelizmente não poderia ajudar em nada seu ex-colega de escola e ordem.

Ao retornar à sua casa, depois de passar um bom tempo em uma livraria vendo se achava algo que o ajudaria, sem sucesso, encontrou a mulher dormindo em sua cama no quarto de hospedes.

Deitou ao lado dela e ficou um tempo velando seu sono, até adormecer também.

Ouviu vozes:

‘Faz pelo menos uma semana que ele está assim, não sei Dumbledore, apenas dorme, não, não reage a nada. Oh sim ele disse algumas coisas, chamou uma mulher, May... é esse o nome. Mas não, não tenho nenhuma boa noticia de retorno.’

Abriu os olhos estava na ala hospitalar, Pomfrey estava o encarando com preocupação, Alvo estava em pé na cabeceira de sua cama.

‘Severo, que bom que despertaste.’

‘O que aconteceu?’

‘Estavas dormindo, durante seis noites. No inicio ficou quieto depois começou a falar, estava delirando, mas agora estás acordado. Que bom, agora fique descansando.’

‘Alvo, e os comensais, e Voldemort, o que aconteceu nesse meio tempo, alguém me procurou?’

‘Malfoy o procurou, eu o despistei... bem, na verdade foi Lupin, usou polissuco e os despistou, deu as aulas por você.’

‘Depois agradeço a ele.’

‘Bem, agora descanse... O que está fazendo Severo?’

‘Eu não estive dormindo por seis noites?.’

‘Seis dias e sete noites.’- respondeu o velho, vendo o homem em pé.

‘Então já não acha que dormi demais?’

‘É, vista-se e venha comigo. Vou ter que resolver uns problemas em Londres e creio que seria bom vires comigo.’

‘Se Pomfrey me der alta.’

‘Só um pouco.’

O velho entrou na sala da curandeira e de lá saiu sorrindo e dizendo que Severo estava bem, que poderia fazer o que bem entendesse.

Os dois seguiram para um coche.

‘Tive um sonho, estranho em que eu era casado, com filhos e tudo mais.’

‘E então?’- o velho o olhava por detrás dos óculos de meia lua.

‘Então?’- ele demonstrava que não entendia o que o velho queria dizer.

‘É gostou, era feliz?’

‘Era eu, em uma família que já me conhecia, mas mesmo sem me lembrar deles, gostei. Sabe eu acho que seria feliz numa vida dessas, talvez depois dessa guerra eu tente me casar.’

O resto do tempo ficaram em silêncio.

Na cidade de Londres, os dois caminhavam em meio aos trouxas quando Severo parou.

Ficou olhando uma pracinha onde haviam muitas crianças brincando. Alvo notou a atenção do seu professor e anunciou que depois se encontravam ali.

Ele chegou perto da pequena turma que brincava ali e sentou em um banco olhando para o nada.

‘O sr se importa se eu sentar aqui?’

‘Não.’- nem olhou a moça que falava com ele mas ela não se preocupou muito começou a puxar conversa.

‘O sr certamente não é daqui.’

‘Como sabe?’

‘A eu trabalho naquela escola ali há sete anos. Se o sr já tivesse passado por aqui eu me lembraria, sou ótima em fisionomias.’

‘Entendo’- aquele papo não interessava a Severo em nada então olhou para a mulher. Diria que estava com pressa e procuraria Alvo mas tomou um susto ao se deparar com uma loira de olhos verdes, os cabelos não eram tão compridos mas era ela.

‘Eu a conheço?’

‘Não, me chamo May White, e o sr?’

‘Severo Snape.’

Apertou a mão dela e sentiu um pulo em seu coração quando lembrou dela dormindo com ele em seu sonho. Alvo retornou logo em seguida e, para o azar de Severo, não poderia mais conversar com ela.

‘Tenho que ir agora.’

‘Você volta? Desculpe... não... não devia Ter dito isso. Bem... eu...’- ela gaguejava. Era nítido que gostara do mestre de poções.

‘Eu não sei se amanhã, mas pode me esperar que eu volto.’

Ela sorriu e o viu partir com o velho.

Meio caminho em silêncio.

‘Era ela no seu sonho ou apenas gostou da moça?’

‘Os dois. Será que seria como no meu sonho?’

‘Só há um jeito de saber.’

‘É, eu sei e é por isso que volto lá amanhã, e depois de amanhã e mais quantas vezes precisar.’

‘E a guerra, não queria que ela terminasse?’

‘Acho que preciso dela agora. E ela precisa de mim.’

Severo voltou a praça e acabou reencontrando a trouxa.

Fim.