Nome: Viagem no tempo
Autora: Clau Snape
Beta-reader: Thity Deluc
Pares: Severo Snape – Hermione Granger
Censura: R
Gênero: Romance
Spoilers: para todos os livros
Avisos ou Alertas: Proibida para diabéticos J
Resumo: Severo Snape recorda a trajetória de seu amor.
Agradecimentos: Para a Cris que betou! * beijos*
Disclaimer: Personagens, lugares e citações pertencem a J.K. Rowling,
Scholastic Books, Bloomsbury Publishing, Editora Rocco ou Warner
Bros. Essa estória não possui fins lucrativos.
Nota: Esta fic faz parte do SnapeFest 2008, uma iniciativa do grupo
SnapeFest do Yahoo!grupos
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Severo Snape contemplou a mulher deitada ao seu lado no confortável quarto da
mansão Snape e seu pensamento voltou longamente no tempo.
Desde o primeiro momento nas masmorras, onde a menina de cabelos lanudos, e dedo
levantado estava sempre a postos, o olhar vivaz desejando todo o saber que
pudesse captar. Ali ele já sabia que ela seria alguém especial no mundo deles.
Apesar de por vezes ser extremamente irritante.
No segundo ano ele, apesar de saber da engenhosa manobra dela para invadir seu
estoque em busca de ingredientes para a Poção Polissuco, não a delatara, talvez
por jamais ter encontrado alguém tão precoce e tão inteligente quanto ela.
Preocupara-se ao ver a pobre aluna nascida trouxa vítima do basilisco,
petrificada, porém ainda assim ela fora capaz de auxiliar na descoberta do
mistério da câmara secreta.
A pré-adolescente do terceiro ano que se desesperara com a ousadia de ter
azarado junto com seus fiéis amigos um professor e logo após se arrependera,
desvelando-se em protegê-lo.
A estonteante visão dela completamente mudada para o baile de inverno durante o
Torneio Tribruxo.
Na verdade, foi naquele ano, que ele a percebeu efetivamente não apenas como a
aluna mais brilhante que já tivera, mas também como um belo prenúncio de mulher.
E como invejara o búlgaro de fala arrastada que deslizava com ela pelo salão.
Das reuniões da Ordem da Fênix no Largo Grimmauld, onde seu interesse começou a
ser mais e mais alimentado enquanto ela gradativamente se transformava em uma
bruxa poderosa, mantendo o foco, o senso de responsabilidade, o olhar sagaz e
questionador. Paralelo a isso crescia em graça e beleza e seu desejo só ia se
desenvolvendo apesar de todos os riscos envolvidos.
De como fora difícil durante o sexto ano lidar com a dubiedade de suas tarefas.
Ajudar Alvo a resistir aos efeitos da fatídica poção, cuidar de todas as coisas
para que elas seguissem o curso planejado, e ainda mantê-la a salvo de qualquer
tipo de ação do Lorde das Trevas ou dos comensais, já que ela era uma excelente
opção de ataque dada a sua proximidade com o garoto que sobreviveu.
E ainda assim quando todo o ato se consumara na Torre de Astronomia, como fora
difícil passar por ela no corredor sem poder olhar para trás sem poder dizer-lhe
nem uma palavra e esperar que ela não o odiasse mais por aquilo tudo. E também
não poder fazer nada para protegê-la dos comensais que atacavam o castelo.
Partir fora deveras doloroso...
O ano da batalha final o jogou em um turbilhão de emoções desenfreadas. Emoções
tão semelhantes às de quase vinte anos antes. Porém dessa vez tentaria não
deixar que o pior acontecesse.
A ausência de seu maldito amigo e mentor era algo que ainda o incomodava muito.
Sem ele para desabafar tudo se potencializava. Tinha que lidar com as ações dos
comensais, com a insanidade de Voldemort, esquivar-se da ira de seus antigos
colegas na direção de Hogwarts, principalmente por que eles desconheciam a sua
real fidelidade, e ainda proteger o Potter e assim manter-se fiel à memória de
Lílian.
Mas ele não conseguia deixar de pensar nela. Em seus olhos castanhos e doces
sempre ansiosos por conhecimento. Em como desejava poder partilhar da sua vida,
como seria tudo mais fácil se ela pudesse saber da verdade. Lutava para que nada
de mal acontecesse a ela enquanto aquela guerra estúpida durasse.
Ele vivera numa agonia constante por todo esse período. Não queria passar pela
segunda vez por todo o sofrimento que passara na época de Lílian.
Durante o período em que ela esteve desaparecida junto com Harry e Rony em busca
das Horcruxes, ele tentava monitorar seus passos para protegê-los, e foi um
enorme alívio quando o antigo diretor Fineus Nigellus lhe deu a direção da
Floresta do Deão e ele pode se aproximar do acampamento antes de cumprir sua
missão com a espada do fundador da Grifinória.
Observá-la mesmo que de longe já abrandava seu coração, ele queria mais. Queria
poder tocá-la e abraçá-la, mas não podia pôr tudo a perder. Era necessário mais
esse sacrifício até que tudo se resolvesse, precisava se agarrar ao desejo de
ver tudo terminado para tentar ser feliz. De preferência em sua companhia.
A visão dela no seu momento de calvário máximo, na Casa dos Gritos, quando ela
ofertou ao Harry o frasco que levaria suas memórias fora a punhalada final em
todo o seu sentimento. Estava muito fraco e naquele momento, achou que jamais
poderia lhe dizer tudo o que sentia, dada a necessidade de revelar os reais
propósitos de toda aquela batalha. Resolvera, portanto guardar todo seu
sentimento por ela no fundo de seu coração. Jamais alguém saberia disso.
Morreria com a lembrança de seus dois únicos amores.
Porém ...
Merlin lhe concedera uma oportunidade, um resgate.
E ela viera justamente pelas mãos ternas dela, que retornara ao lúgubre local
com a ajuda necessária para lhe salvar.
A dedicação dela ao cuidar dele foi tão intensa que o fez se agarrar à vida com
uma esperança jamais sonhada.
A partir daí o laço entre eles se estreitou.
Era comum vê-los juntos pelos corredores de Hogwarts, sempre conversando e
estudando. Com o término da guerra, ela não se permitira parar de estudar e
regressara aos estudos com o mesmo afinco de outrora.
A proximidade fez os sentimentos desabrocharem e ele se lembrou do primeiro
beijo deles. Assustado, terno, casto, mas cheio de promessas. No momento em que
suas bocas se uniram, ele sabia que seria para jamais se separarem.
Cada momento vivido por eles era deliciosamente esperado, encontros furtivos em
cada recanto do castelo como dois adolescentes, até que chegasse a hora em que
pudessem viver seu amor às claras, sem limites e nem censuras.
A sublime noite onde se tornaram um só corpo e uma só alma. O prazer imensurável
de se descobrirem: cada poro, cada milímetro de pele. A inocência dela se verter
ante a experiência dele. Transformá-la em mulher, perceber seu enlevo, sua
excitação, sua entrega total e irrestrita. Impossível esquecer o fogo em seus
olhos, o calor cobrindo seu rosto, a respiração entrecortada enquanto as unhas
dela cravavam suas costas, o seu nome sussurrado entre os gemidos de prazer, o
ápice glorioso deles abençoado por todos os deuses.
Encarar o espanto de todos ao vê-los juntos e felizes também não fora simples.
Ser o herói aclamado da guerra ainda não era o suficiente para que muitos bruxos
permitissem o seu envolvimento com uma bruxa tão mais nova. Sem falar nas
antigas rixas entre as casas.
Leões e serpentes não se misturam, diziam.
Mas o que ninguém sabia é que esse amor fora construído aos poucos. Entre risos
e lágrimas, entre espera e angústias, pelo amor ao conhecimento, e
principalmente fortalecido pela coragem de ambos em enfrentar tudo e todos na
busca da plenitude. Com esse relacionamento ele aprendeu a ser mais flexível,
aprendeu, sobretudo a sorrir. Era um amor selado e eternizado. Um amor maior que
o tempo.
Apesar de tantos percalços, eles se uniram em definitivo em uma cerimônia
simples, mas repleta de emoção. Nunca ele a vira tão radiante. Ela era a
tradução perfeita da supremacia do amor.
Algum tempo depois ele foi confrontado com a notícia que teria herdeiros. O
coroamento do amor deles o deixou em estado de choque. Porém, no momento em que
ele pôs os olhos na pequena Laura, olhos negros como ébano, cabelinhos cheios de
cachos castanhos como os da mãe, as mãozinhas curiosas e delicadas e a boca em
forma de coração sugando avidamente o seio materno, ele realmente percebeu que o
mundo não podia ser melhor, mais brilhante e mais feliz...
Por mais três vezes essa sensação o acometeu, com a chegada de seus outros
filhos. Jamais durante sua juventude ele imaginara que isso seria possível.
Passara tempo demais entregue a coisas tão negativas que não achou que a
felicidade lhe seria permitida.
Mas agora ele percebia que além dela existir tinha nome, sobrenome e
descendentes. E era inteira dele.
Quinze anos se passaram e seus quatro rebentos haviam alçado vôo. Estavam todos
em Hogwarts, apesar do fato de cada um pertencer a uma casa diferente,
contrariando suas heranças familiares. Mas até essa mudança era positiva.
Deixava para trás toda e qualquer dúvida em relação às desigualdades e rixas que
no passado aconteciam. Eram novos tempos, tempos de paz.
E era também um novo tempo para eles. Agora eles eram completa e inteiramente um
do outro. Sem necessidades de horários marcados, de se preocupar com a chegada
das crianças sem aviso em seus aposentos para filar um pedacinho da cama.
Era chegado o tempo de eles aproveitarem, de todas as formas possíveis, o que a
maturidade lhes trouxera. E nesse aspecto eles eram perfeitos. Tinham total
conhecimento de seus corpos, de seus anseios. Amavam-se com tamanha intensidade
e ardor que não havia limite para tais demonstrações.
Percorreu os traços do rosto dela delicadamente com a ponta dos dedos, depois
separou os cachos e os afastou permitindo que sua nuca ficasse exposta.
Escorregou para debaixo dos lençóis e se aconchegou ao corpo morno dela formando
um encaixe perfeito. Sua boca buscou a pele alva do pescoço e entre pequenas
mordidas úmidas ele começou a despertá-la.
Ela reagiu estremecendo ante a sua investida e deu um pequeno gemido, aceitando
a carícia. Isso desencadeou nele uma corrente que percorreu todo seu corpo
longilíneo e parou no seu ponto de tensão. As mãos agora começavam a ganhar
espaço junto ao corpo dela, buscando suas curvas tão conhecidas e desejadas. Os
dedos roçaram pelos mamilos túrgidos desenhando círculos enquanto ela se virava
para encontrar os olhos famintos dele. Foi uma fração de segundos para que suas
bocas se encontrassem num delicioso bailado de línguas. As palavras não eram
necessárias. A linguagem do amor era quem ditava as regras e eternizava aquele
sentimento. Se amaram por toda a noite como se fosse a primeira vez.
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